Nova cloroquina? O que se sabe sobre remédio israelense que poderia curar covid-19

Anita Efraim
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Hospital staff provide medical care for patients at a coronavirus disease (COVID-19) ward amid a surge in new cases that has forced Israel into a second nationwide lockdown, at Tel Aviv Sourasky Medical Center (Ichilov), Tel Aviv, Israel September 21, 2020. Picture taken September 21, 2020.  REUTERS/Ronen Zvulun
Remédio é um spray nasal e foi testado em 30 pacientes no Centro Médico Ichilov (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem intensificado o discurso a respeito do remédio EXO-CD24, que está sendo desenvolvido em Israel, e poderia curar a covid-19. Bolsonaro chegou a falar em pedido de uso emergencial do medicamento.

Diferentemente da hidroxicloroquina e da cloroquina, remédios usados no tratamento da malária, o novo remédio em Israel não tem função “original” e seria destinado apenas aos pacientes infectados pelo novo coronavírus. Enquanto a cloroquina é comprovadamente ineficaz contra a covid-19, faltam estudos sobre o EXO-CD24.

O medicamento é um spray nasal e está sendo desenvolvido pelo professor Nadir Arber, que faz pesquisas relacionadas ao câncer. Inicialmente, o remédio seria usado no tratamento desse tipo de paciente. Mas, no Centro Médio Ichilov, 30 pacientes com quadros moderados ou graves de covid-19 usaram o EXO-CD24. Entre eles, 29 melhoraram e, em cinco dias, deixaram o hospital.

No entanto, isso não quer dizer que o medicamento seja comprovadamente eficaz ou que a tecnologia já possa ser exportada para outros lugares do mundo. Em entrevista ao jornal The Times os Israel, Arber explicou que o remédio passou pela fase 1. Agora, ele aplicou para que o Ministério da Saúde do país permita que os estudos avancem e passem pela fase 2.

A fase 1 é pequena, apenas para checar a segurança e não conta nem mesmo com o grupo de controle, que recebe placebo, e é usado como base de comparação para medir os resultados dos estudos.

A expectativa de Nadir Arber é que o medicamento possa ajudar países pobres, com dificuldade em comprar vacinas suficientes para imunizar a população.

O pesquisador acredita que o remédio é capaz de lutar contra a chamada “tempestade de citocina” uma reação do corpo do coronavírus. Acredita-se que esse seja o efeito responsável por diversas mortes causadas pela covid-19.

POLITIZAÇÃO DO REMÉDIO

A politização da crise do covid-19 não é novidades para os brasileiros. Em Israel, não é diferente. Em março, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro, concorrerá à reeleição mais uma vez. Há 10 anos no poder, ele investiu na vacinação, também como parte da campanha eleitoral.

Netanyahu recebeu Arber na última semana e já trata o medicamento, ainda em fase inicial da pesquisa, como “remédio milagroso”. Segundo o The Times of Israel, durante o encontro, Bibi afirmou: “Se isso der certo, será gigante, simplesmente gigante. Isso é significativo para todo o mundo. É incrível”.

Bibi ainda ofereceu ajuda ao pesquisador. O primeiro-ministro quer diminuir as burocracias e otimizar o processo para aprovação do uso do remédio.

Além de Bolsonaro, outro político já expressou interesse no EXO-CD24: Kyryakos Mitsotakis, da Grécia. Netanyahu quer que o medicamento seja testado em diversos países do mundo e a Grécia já se ofereceu para ser um deles.

O Brasil quer participar da fase 3 dos estudos clínicos do medicamento.