Nova chance de viver: 1º transplante de rosto e mão no mundo é realizado como sucesso nos EUA

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
NYU Langone/Divulgação
A cirurgia ocorreu em agosto do ano passado, mas os médicos de Dimeo decidiram esperar até terem certeza de que os transplantes não seriam rejeitados — como na maioria dos casos — antes de declarar a operação como sucesso (Foto: NYU Langone/Divulgação)

Em julho de 2018, Joe Dimeo dormiu ao volante de seu carro, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Desgovernado, o carro bateu no acostamento e capotou diversas vezes antes de pegar fogo. O jovem, com 20 anos na época, foi resgatado por uma pessoa que passava pelo local antes do carro explodir. Porém, Dimeo sofreu queimaduras de terceiro grau em quase 80% de seu corpo.

Embora tenha sobrevivido, ele ficou sem pálpebras, orelhas e grande parte dos dedos das mãos. As cicatrizes em decorrência das queimaduras limitavam seus movimentos no rosto, pescoço e na boca. O jovem perdera sua independência em um instante. Não conseguia mais comer, enxergar e sorrir.

No entanto, nesta quarta-feira (3), os médicos do Langone Medical Center da New York University (NYU) anunciaram que, após 23 exaustivas horas de cirurgia, Dimeo se tornou, aos 22 anos de idade, o primeiro paciente no mundo a realizar um transplante de rosto e mãos juntos bem sucedido.

Leia também:

A cirurgia ocorreu em agosto do ano passado, mas os médicos de Dimeo decidiram esperar até terem certeza de que os transplantes não seriam rejeitados — como na maioria dos casos — antes de declarar a operação como sucesso.

Houve apenas duas tentativas anteriores de transplante de rosto e de ambas as mãos de um paciente em todo o mundo. Nenhum teve sucesso.

“Precisávamos evitar a infecção, precisávamos que essa operação acontecesse o mais rápido possível, tínhamos que ser muito seletivos com o doador e tínhamos que implementar todas as tecnologias de ponta que garantissem o sucesso total da operação do Joe. E foi exatamente isso que fizemos”, afirmou Dr. Eduardo Rodríguez, chefe da equipe que completou a cirurgia sem precedentes, a jornalistas em entrevista coletiva na quarta-feira.

Mega operação

De acordo com a CNN, oitenta pessoas participaram da operação em seis equipes cirúrgicas e duas salas de operação contíguas que trabalharam em conjunto por 23 horas seguidas.

Em um delas, as mãos e o tecido facial de um doador foram cuidadosamente removidos e substituídos por próteses impressas em 3D. Na outra sala de cirurgia, as próprias mãos e rosto de Dimeo foram removidos com cortes precisos, para prepará-lo para o tecido do doador..

"Temos que substituir 21 tendões, três nervos principais, cinco vasos principais, dois ossos principais" em cada mão, disse o médico Rodríguez.

Depois que o rosto de Dimeo foi removido, pequenas placas foram colocadas em seu queixo para ajudar a prender seu novo rosto, e a ponte do nariz do doador foi enxertada no lugar dele.

Após a cirurgia, vieram 45 dias em terapia intensiva, seguidos de quase dois meses de reabilitação hospitalar.

Na quarta-feira (3), quando os médicos anunciaram o sucesso da operação, Dimeo estava lá. Do bolso de uma jaqueta, ele retirou um papel com um texto preparado e leu: "Quero compartilhar minha história para dar esperança às pessoas no mundo".