Michael Douglas deixa de ser o 'garanhão' e arrasa como Liberace

Paloma Guedes


Não tem jeito: o que mais atrai a curiosidade sobre 'Behind The Candelabra' ('Por Detrás do Candelabro' em português) nem é a história do romance entre Liberace e Scott Thorson. O mais interessante é ver Michael Douglas interpretando o personagem. Afinal, Douglas é o 'José Mayer mundial': aquele ator que sempre interpreta o 'macho alfa', o 'pegador', o 'homem de negócios implacável', o 'tira durão', o 'irresistível'. Fora que o fato de ser ninfomaníaco na vida real só aumenta esse seu status de super-galã.

E aí vem a notícia de que é ele quem fará o pianista super afetado coberto de ouros, perucas e brilhos. Sim, Liberace era gay mas fazia de tudo para esconder isso. E essa é uma das partes importantes do filme que ganhou 11 prêmios Emmy.

A história, baseada em um livro escrito por Scott, foi dirigida por Steven Soderbergh (de 'Sexo, Mentiras e Videotape', 'Traffic', 'Erin Brockovich', 'Onze Homens e um Segredo', 'Che' etc) e pensada inicialmente para os cinemas mas, sem conseguir financiamento, foi produzida pelo canal de TV HBO.

'Behind The Candelabra' acompanha os anos em que Lee (como Liberace era chamado pelos mais íntimos) esteve com Scott e todas as suas excentricidades como, por exemplo, pedir que o namorado fizesse cirurgias plásticas para ficar parecido com ele quando jovem. A diferença de idade entre os dois era grande.






Matt Damon


(que interpreta Scott) apenas reafirma que é um grande ator. Sua versatilidade fica evidente para quem é fã de Jason Bourne (da trilogia de ação) e, de repente, o vê usando uma sunga minúscula em um corpo bronzeado artificialmente e bancando um jovem carente e perdido que se deixa levar por uma figura que se torna amante, pai, amigo e obssessão.

E, voltando à Michael Douglas, além da interpretação impecável, seu desprendimento em relação à vaidade, mostrando-se barrigudo e careca frente às câmeras merece aplausos. Outro que merece ser mencionado é Rob Lowe que aparece pouco mas causa impacto pelo aspecto de boneco de cera chapado diferente dos mocinhos engomadinhos que ele costuma interpretar.



Fora isso, o filme cumpre bem o papel de mostrar um universo glamuroso e cheio de brilho mas que esconde muita verdade crua e incômoda para a sociedade da época debaixo do tapete (bem, podemos dizer que mesmo nos anos 2000 o mundo não anda tão evoluído assim). Não é genial, o próprio Soderbergh tem melhores tramas no seu currículo, mas vale muito ser assistido por uma série de combinações de elementos que o fizerem ser tão premiado em 2013.

O filme estreia no dia 19 de outubro da HBO.