Maitê Proença aos 63 anos: "Masturbação é uma maravilha, manda ver, gente!"

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Ela completará 63 anos no próximo dia 28 de janeiro - é aquariana na essência, é intensa, melodrama apenas no palco: “A autopiedade não serve pra porra nenhuma", avisa Maitê Proença, que tem como mantra falar sobre felicidade ainda que essa não tenha sido uma constante em sua vida, e hesite em responder se é uma pessoa feliz.

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“Não sei se sou uma mulher feliz. Parece quase leviano falar isso num momento como esse", diz a atriz com o olhar distante, citando a pandemia do coronavírus, o desmonte cultural e a ausência de políticas públicas e sociais que garantam vacinação no Brasil.

Estava mormaço na ampla e iluminada sala do seu apartamento no Rio de Janeiro - ela avisou que deixaria o ar-condicionado ligado -, e chovia em São Paulo, quando a atriz, com uma make bem discreta, vestindo uma camiseta branca, um short e de chinelos, atendeu o Yahoo Entrevista para um bate-papo online. Falamos sobre prazer feminino, drogas, morte, menopausa, futuro da cultura no Brasil, autoconhecimento, autocuidado, beleza, liberdade sexual, política e fim do contrato com a Globo. Foi uma tarde de análise.

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"Acho que a masturbação é superlegítima. É uma maravilha, manda ver, gente. Acho vibradores uma ótima opção, do jeito que você faz, da forma que você quer, que você escolhe. Tem tantos recursos que a gente pode usar já que não tem um parceiro. Não precisa necessariamente conhecer uma pessoa nova na pandemia", diz Maitê, mãe de Maria Marinho (sua única filha) e avó de Manuela, recém-nascida.

O feminicídio da mãe e o suicídio do pai e do irmão

<p>A atriz é a convidada da semana no Yahoo Entrevistas e fala sobre a sexualidade e a menopausa.</p>

A atriz é a convidada da semana no Yahoo Entrevistas e fala sobre a sexualidade e a menopausa.

“É um equívoco a gente achar que o que encanta é a fortaleza. O que encanta é quando a gente vê que a pessoa é parecida com a gente. A gente sente afeto pelas pessoas que têm vulnerabilidades" diz ao explicar sobre seu monólogo "O pior de Mim", que acontece virtualmente no Teatro Petra Gold.

A gente está sempre fazendo uma performance. Por isso é cansativo e tenso viver. Você está o tempo inteiro fazendo performance pra agradar aos outros, como se a gente soubesse o que o outro quer. Você não sabe o que o outro quer, o que ele está pensando porque ele finge

Na peça, a atriz fala justamente sobre sua jornada de autoconhecimento, sua busca incessante pela cura das feridas, expõe de maneira visceral as tragédias que a trouxeram até o momento presente - o pai, o procurador de Justiça Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo, motivado por ciúmes, matou a facadas a mãe, a professora Margot Proença Gallo, em Campinas (SP). Maitê tinha 12 anos na época. Em 1989, seu pai se suicidou e logo depois, seu irmão adotivo também tirou a própria vida. 

Quando perde gente querida, a gente se culpa porque sim! Porque talvez aquilo pudesse ter sido evitado, se estivesse ali naquele momento, se tivesse percebido que estava caminhando pra isso, têm todas essas questões. É bom falar para que você escolha o que pensa disso e pra quando você estiver considerando saber o que fazer

Apesar do assunto ser conhecido, ela é cirúrgica quando questionada: “Não falo disso em entrevistas porque acho que não interessa. Inclusive, acho que pra gente poder fazer literatura com as nossas questões mais íntimas, nós temos que ter distância daquilo porque senão fica melodramático, de mau gosto, não é arte, é só catarse e algo que você deveria fazer numa sala de análise, mas não num espaço público, que não vai servir pra nada. Ninguém vai ficar com pena de você.”

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A ideia da peça surge justamente dos dias atuais - a vida perfeita das redes sociais, os realities shows e a ausência de planejamento para quem vive de cultura. “Vi meus colegas todos à míngua. As pessoas não têm perspectiva. Voltar a trabalhar como antes, não sei quando vai acontecer de verdade. E as pessoas estão morrendo de fome", diz ela, que como boa intelectual também fez sua crítica aos efeitos da globalização.

Todo mundo tem a sua porta dos fundos, aquele lugar que você não conta pra ninguém e por ali você sai para respirar

"O Instagram é um palco de mentiras onde as pessoas mostram uma realidade filtrada visualmente, de certa forma é um desserviço porque quando você vê uma avalanche disso, você começa a se sentir um ser abjeto. A gente se compara. Resolvi que então invés de mostrar meu melhor eu ia mostrar o pior de mim", explica a atriz, que cita os muros que construiu para fugir de seus fantasmas e assim acabou se afastando de si.

Meus pais nunca me falaram que eu era bonita. Na minha casa nunca ninguém tratava desse assunto. Depois eu estudei numa escola de anglo-saxões. Era importante você ser boa em esporte. Era isso que te tornava popular. Não tinha a ver com estética

Ícone de beleza nos anos 80, Maitê mantém a vitalidade e vê-la caminhar pela sala é realmente inspirador. Comida saudável, água morna todos os dias, água com limão, meditação, “pomadinha para menopausa que eu mesma aplicava", diz ela - esse “papo bicho-grilo” como a atriz define são seus “segredos” do envelhecimento. E, claro, conhecer o próprio corpo e se dá prazer.

Eu não reclamo de nada! Eu não! Deus me livre! Nem pra mim mesma. Sofro até não poder mais. Vou lá no fundo do poço e subo, mas não fico parada naquele lugar porque aquele lugar te imobiliza, né?

Confira o papo completo no vídeo acima.

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