Talvez você esteja sofrendo de F.O.D.A

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Young gorgeous african hipster couple holding hands and walking down the street during corona virus outbreak.
F.O.D.A é um termo que designa o medo de voltar a paquerar, depois de quase um ano de pandemia de coronavírus (Foto: Getty Images)

A pandemia está há algumas semanas de chegar ao marco de um ano e, nesse meio tempo, muita coisa mudou. De lá para cá, entre reforços e relaxamentos na quarentena, parece que a paquera, o sexo, os novos relacionamentos amorosos, ficaram um pouco de lado. E o resultado de tudo isso… é F.O.D.A.

Antes que você entenda errado, o termo é uma sigla em inglês, que significa "Fear of Dating Again", ou seja, "o medo de paquerar de novo". Assim como o FOMO (fear of missing out), é o símbolo de uma sensação desenvolvida durante o último ano, de pessoas que se sentem inseguras de sair com alguém ou de voltar a paquerar depois de quase um ano de distanciamento e isolamento social.

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O termo surgiu na gringa, claro, e apareceu pela primeira vez no jornal britânico "Metrô", e, ao que tudo indica, surgiu como resultado de um estudo feito pelo aplicativo de paquera Hinge. Designa, justamente, o medo de voltar a sair com alguém ou a paquerar após tanto tempo apenas com interações via Zoom ou com amigos e familiares próximos. A falta de prática, e até os medos em relação ao coronavírus, tornou a vida dos solteiros bem mais complicada do que antes.

"Podemos comparar a pandemia a um terremoto, no que se refere às relações", explica o psicólogo Ronaldo Coelho. "Houve abalo em todas elas. As relações familiares, conjugais, de amizade, relações de trabalho e todas as outras. Sem exceção, todas as relações sofreram, de algum modo, uma necessidade de se reconfigurarem ou, as que não suportaram, foram desfeitas".

O resultado disso é fácil de ver. Mesmo com o negacionismo rolando solto e as festas clandestinas gerando discórdia nas redes sociais, muita gente desenvolveu certo medo de se relacionar presencialmente com outras pessoas. E isso, claro, não é julgável. Na verdade, é compreensível, do ponto de vista de uma doença com tamanha imprevisibilidade em sua letalidade - é difícil saber quem vai acabar em um leito de UTI, apesar dos grupos de risco, e ninguém em sã consciência gostaria de ver alguém que ama doente.

Há muito a se considerar na hora de sair para um date em tempos de pandemia - o que não significa que esses encontros sejam impossíveis. Mas é complexo prever como será a realidade daqui para a frente, até que todos estejam vacinados. Uma conexão incrível com alguém pode esfriar porque a necessidade de quarentena surgiu mais uma vez e a falta de contato físico fez o flerte não passar de um flerte.

Fora a questão de lidar com um relacionamento como se fosse uma situação apocalíptica, em que, talvez, não haja nova possibilidade de encontrar o amor dadas as circunstâncias e o melhor é nos contentarmos com o flerte que não é tão incrível assim, mas parece sanar a carência.

Estou sofrendo de F.O.D.A, e agora?

Fato é: é possível praticar o flerte e a paquera, mesmo sem sair de casa. Aplicativos de namoro, sites de relacionamento, as próprias redes sociais e até as videochamadas podem ajudar com isso. No entanto, enquanto esses recursos possibilitam essas conversas mais apimentadas, o papo também pode não se sustentar por muito tempo - afinal, chega uma hora que o toque, o contato físico, se torna necessário, e a vontade de se encontrar cara a cara cresce dos dois lados.

"Caso isso ocorra, cabe aos parceiros terem uma conversa honesta sobre o nível de exposição que cada um vem tendo", diz Ronaldo. "A sinceridade neste ponto é fundamental, e confiar no outro implica em muito mais do que as palavras que ele está falando naquele momento, mas a possibilidade de articulá-las com todo o contexto da relação de vocês até o momento."

Para o psicólogo, a postura ética em relação ao outro é o de conversar sobre os reais riscos desse encontro presencial tanto para cada um quanto para os familiares ou pessoas próximas, de forma que os dois tenham todas as informações necessárias para fazer uma escolha consciente dos riscos. "Não serei o moralista que dirá 'só se encontrem depois de vacinados!', mas também é bem problemático agir como se não estivéssemos em uma pandemia das proporções que estamos atravessando", reflete o profissional.

Uma dica essencial é usar o tempo online para conhecer a pessoa o máximo que puder - não depender totalmente de um date ao vivo para perceber se vocês têm uma conexão ou não. O segundo passo é, em caso de um encontro cara a cara, lembrar que não há necessidade de contato físico de prima: sair para tomar um café, por exemplo, é possível, desde que se mantenha o uso de máscaras, o distanciamento social e o uso do álcool em gel. Essa pode ser uma forma de sanar um pouco a necessidade de um contato offline, mas também de dar os primeiros passos para confirmar se o interesse é mútuo e se os dois lados têm um desejo verdadeiro de aprofundar a relação.

No mais, também é válido relaxar. Se você perceber que esse não é o momento para você voltar a paquerar, se encontrar com pessoas fora de casa ainda é assustador, ou se você ainda se sente inseguro pela falta de vacina, não tem problema. Leve o seu tempo e use esse período para cuidar de você, se possível. Se for o caso, vale a pena buscar ajuda profissional para lidar com esses medos, caso você sinta que eles estão indo além do que seria considerado normal.

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