Nostálgico e sem emprego, Stênio Garcia chega aos 88 anos: “Gosto da vida”

Com uma carreira sólida na teledramaturgia, o ator Stênio Garcia é aquele veterano que você sorri quando vê ou escuta falando. Impossível não lembrar do Tio Ali de ‘O Clone’ -- o ator leu e releu o Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) para que o personagem realmente se aproximasse de um legítimo árabe -- ou do Bino da minissérie ‘Carga Pesada’.

O papo com a reportagem durou cerca de 2 horas, e minutos antes de entrar via videoconferência, ao lado da mulher, a atriz e advogada Marilene Saad, Stênio estava no telefone com o parceiro Pedro, o ator Antonio Fagundes. “Desculpe a demora”, disse.

Era aniversário de Stênio e ele estava completando 88 anos. Envolto em um mundo tão sem esperança diante da pandemia do covid-19, com amigos indo embora, como o colega Flávio Migliaccio, que renunciou seu direito de viver, pois já não acreditava mais no sentido da vivência. Com seu contemporâneo Lima Duarte também tão desacreditado com o país, com a profissão de ator após os 60 anos, e com a própria vida. Ouvir Stenio declamando, bem colado na câmera do aparelho celular -- “Não sei usar computador”--, enquanto gesticula: “Eu gosto da vida. Tem algo que ninguém tira de você, que é o querer. Se eu quero, eu consigo”; aquece o coração.

Após 47 anos de TV Globo, o ator foi demitido da emissora no início da pandemia. A mágoa está ali, ao mesmo tempo que a gratidão também -- “Foi onde cresci e ajudei minha família” -- no olhar a cada questionamento sobre o futuro, sobre seu ofício, o único que aprendeu e desenvolve com maestria. “Eu gosto de trabalhar.”

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