Noite do Foo Fighters dá lugar ao coro de "Fora Bolsonaro" de rappers no Lollapalooza

Emicida se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Emicida se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

A ausência justificável do Foo Fighters, após a repentina morte de Taylor Hawkins, deu lugar a uma reunião de rappers de relevância no Brasil para coroar a sequência de manifestações políticas do festival.

Antes do show de hinos políticos com Emicida de anfitrião, recebendo Mano Brown, Criollo, Rael, Bivolt e outros convidados, o artista, que se apresentou no festival no último sábado (26), cantou uma faixa do Foo Fighters ao lado de Michele Cordeiro, guitarrista de sua banda, para encerrar o tributo ao falecido baterista.

Dando início ao encontro de grandes nomes do rap nacional, Emicida recebeu Criollo sem demorar para manifestar repúdio ao atual governo. Isso porque, o músico apareceu no palco com uma camiseta estampada com um título de eleitor e com a palavra "Vote" nas costas, sem meias palavras, intimando a população a não correr das eleições de 2022.

Criolo se apresenta no Lollapaloza com camiseta estampada com a palavra
Criolo se apresenta no Lollapaloza com camiseta estampada com a palavra "Vote" nas costas (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

E se engana quem pensa que eles iriam se intimidar com a decisão de censura do TSE. Emicida voltou a provocar o governo. "Pode multar, pode multar. A voz do povo é a voz de Deus", afirmou ao também receber Rael no palco Budweiser.

"Nem precisa xingar, o negocio resolve na urna", disparou Rael sobre os protetos contra Bolsonaro com flashs de “Vote” no telão.

E, partir daí, a batalha de raps se instaurou no comando de Emicida, convocando os nomes que iam ganhando espaço no palco.

A rapper Bivolt chegou sem medo de soltar em alto e bom som o grito de ordem desse festival: "Fora Bolsonaro".

Mano Brown também chegou deixando o recado de resolver a mudança que o Brasil pede através das urnas. "Como disse meu companheiro Rael, é na eleiçáo que decide", afirmou.

Em pausa da batalha, Emicida convocou Djonga ao palco e o clima de descontracção chegou com o mineiro.

"Esse é o rei de Wakanda", disse Mano Brown ao receber Djonga no palco seguido de uma sequência de elogios entre os artistas presentes no palco.

Lollapalloza 2022

Para quem assiste fica uma percepção: o rap brasileiro se fortalece na união e longe do ego. Fica nítido a conexão entre os artistas que compartilham dos mesmos anseios na arte e da amizade propícia para uma mesa de bar.

Em meio a série de performances dos rappers, Emicida fez questão de seguir lamentando a morte do baterista.

Faça barulho para Taylor Hawkins. Faça barulho para Foo Fighters. Faça barulho para todos aqueles que amam e fazem a música com o coração"disse

Mais homenagens

Na sequência, o Planet Hemp entrou na vibe do que a noite tem proporcionado desde o começo: reconhecendo a relevância de Taylor ao lembrar de baterista junto de outros nomes que se foram cedo e marcaram a música. "Hoje aqui é sobre Taylor Hawkins, é sobre Chorão, é sobre Chico Science, Sabotage", disse, ao não deixar de completar o coro de protestos com uma declaração tímida e clara. "Hoje! Ele não", afirmou Marcelo D2 , em referência ao Bolsonaro.

Durante a apresentação do músico, fotos de figuras icônicas da música marcadas por mortes precoces foram passando no telão. Kurt Cobain, Catra e Amy Whinnehouse estiveram entre eles.

Marcelo D2 se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Marcelo D2 se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

"Quando você perde um amigo de banda, você perde um pedaço do seu sonho", desabafou D2 ao relembrar que já passou por isso.

"Hoje a gente vai falar do que a gente quiser, porque o mundo é nosso. O mundo é deles, mas é nosso também", completou o cantor, ao contrariar a decisão de silenciamento do TSE.

Palavras de ordem sobre votação e "desobediência" seguiram surgindo no telão ao longo das apresentações e Marcelo D2 usou do humor para demonstrar apoio ao Lula. Aquele trocadilho já endossado por Emicida em seu show no sábado. "A gente não pode falar, então eu vou falar sobre o festival: Olê olê olá! Lula! Lula!", chamou D2 seguido pelo coro do público.

Marcelo D2 e BNegão no Lollapalooza (Foto: Iwi Onodera/ Brazil News)
Marcelo D2 e BNegão no Lollapalooza (Foto: Iwi Onodera/ Brazil News)