No thriller 'Stillwater', com Matt Damon, Tom McCarthy procura caminho europeu

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    Matt Damon
    Ator americano

CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) - "Stillwater: Em Busca da Verdade", apresentado pela primeira vez no Festival de Cannes, mas fora da competição à Palma de Ouro, é o primeiro filme do americano Tom McCarthy depois do elogiado "Spotlight", vencedor de seis Prêmios Oscar em 2016, incluindo melhor filme e melhor diretor.

A história de um petroleiro americano que se envolve com uma atriz francesa em Marselha —enquanto tenta achar o verdadeiro autor de um crime pelo qual sua filha está presa— é uma espécie de recuo na carreira do cineasta, e chega agora no streaming.

Inspirado no caso real de Amanda Knox, americana que passou quatro anos presa na Itália, o roteiro escrito por McCarthy e Marcus Hinchey e pelos franceses Thomas Bidegain e Noé Debré é implausível e, num estilo que se equilibra de forma instável entre filme de ação e romance, cenas de pancadaria se alternam com diálogos inteligentes e interações mais sutis.

É um recuo, mas estratégico. "Dificilmente eu conseguiria fazer um filme como ‘Stillwater’ dez anos atrás", disse o diretor em entrevista exclusiva à reportagem durante o festival.

Seu projeto era migrar de um estilo puramente hollywoodiano para algo "complexo, original, uma espécie de híbrido entre filme americano e europeu", e o Oscar foi seu passaporte.

"O prêmio me deu mais confiança, mas, ainda mais importante, deu confiança ao estúdio para bancar um tipo de filme cada vez mais difícil de fazer nos EUA. A possibilidade de rodar isso em grande escala, com grande estrutura, um ator como Matt Damon, numa locação como Marselha, é algo para o que o Oscar certamente contribuiu", afirmou ele.

O astro americano é o destaque de "Stillwater" não pela popularidade, mas pela atuação. Ele interpreta Bill Baker, um desempregado "roughneck" —como são chamados os trabalhadores de poços de petróleo—, de forma convincente e não estereotipada.

Para construir o personagem, Damon e McCarthy viajaram a Oklahoma, conviveram com operários, visitaram suas famílias, percorreram juntos o estado americano em caminhonetes. A experiência marcou, diz o diretor: "Teve um enorme impacto sobre mim também como pessoa, emocionalmente".

"Aquela parte da cultura americana é fascinante e de alguma forma não a estamos celebrando agora. Políticos já passaram muito tempo nos dividindo em categorias para manter-se no poder. Temos que ir além desse jogo", afirmou McCarthy. Segundo ele, embora o projeto não fosse fazer um filme político, "a política está no seu DNA".

O embrutecido Baker viaja periodicamente à França para visitar a filha Allison, papel da atriz Abigail Breslin, de "Little Miss Sunshine", condenada a nove anos pela morte de sua namorada.

A relação entre pai e filha é acidentada, e o passado incerto e ausente de Bill faz com que Allison não confie nele. Ainda assim, é a ajuda do pai que ela pede para entregar a sua advogada uma carta em que a jovem diz ter novas pistas sobre o verdadeiro criminoso.

Bill resolve ajudar a filha em segredo, e para isso pede que Virginie, vivida por Camille Cottin, sua vizinha de quarto no hotel, que lhe sirva de intérprete. O filme ganha ritmo de thriller e a francesa também vira motorista, guia e enfermeira do americano.

O petroleiro começa a se abrir milimetricamente conforme se aproxima de Virginie, no apartamento da qual ele se instala, e de sua filha Maya, interpretada pela menina Lilou Siauvaud, considerada uma revelação pelos críticos franceses. Algumas das melhores cenas de "Stillwater" são as de Damon contracenando com Lilou.

Os conflitos culturais entre o protótipo do americano de direita e a esquerda francesa de que Virginie faz parte são também um ponto alto, divertidos e provocantes.

Esse trajeto —aproximar-se, conhecer melhor e mudar de atitude— é um efeito colateral que McCarthy espera que seu trabalho tenha. "Minha tarefa número um é entreter e engajar o público, e uma dessas trilhas é o relacionamento de Bill com Virginie. Se a plateia que assiste a isso puder ampliar sua forma de ver o mundo e os outros, será ótimo", afirmou.

McCarthy está ciente de que pode esbarrar em críticas nos Estados Unidos, onde o filme estreia no final deste mês: "A plateia americana pode se espantar com uma cena como a de Bill fritando hambúrgueres para Maya. Vão dizer ‘por que ele não está correndo atrás do vilão? Isto não é um thriller? Por que ele perde tempo com isso?’"

Mas seu objetivo, diz ele, era justamente fazer algo diferente, capaz de surpreender o público. "Este pode não ser o tipo de filme com que você contava, pode não combinar com sua expectativa sobre um ‘filme com Matt Damon’. Mas o que quero é contar histórias que desafiem e não nos deem o que esperávamos", afirma.

McCarthy diz que optou por mostrar a obra durante o Festival de Cannes, mesmo fora da competição, porque era uma chance única de ver a reação do público à sua primeira incursão estrangeira.

"Aqui estou eu, um americano. Fiz um filme no seu mundo. Ele lhe diz algo? Você se conecta com ele? Sentar na poltrona e assistir à reação da plateia era algo que não poderia perder", relata o diretor. O momento afetou também Matt Damon, que caiu no choro durante os aplausos da plateia no Grand Théâtre Lumière, lotado por mais de 2.300 pessoas.

"Estar na mesma sala com milhares de outras pessoas que são estranhas, mas fazem parte da mesma comunidade que ama o cinema, foi um grande lembrete de por que fazemos isso", disse ele em entrevista no evento.

STILLWATER

Quando Para compra ou aluguel em diversas plataformas

Classificação 16 anos

Elenco Com Matt Damon, Camille Cottin e Abigail Breslin

Produção EUA, 2021

Direção Tom McCarthy

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