No "novo normal" precisamos de tempo e atenção

Fernando Rocha fala sobre sua experiência na quarentena (Foto: Reprodução/Instagram@fernandorocha)

Não foi de uma hora pra outra. Mas esses dias de quarentena apresentaram uma nova condição de estar junto, de ver e de demonstrar sentimentos. Um jeito mais presente de falar ao telefone, um olhar nos olhos mais de verdade mesmo através da tela. Foi assim que eu comemorei o aniversario do meu filho Pedro
e assim também que cantei parabéns para o meu outro filho Rafa.

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De longe também combinamos vinho, cerveja e até churrasco virtual. Discutimos política e futebol com o mesmo entusiasmo. É um "de longe" que hoje ficou "de perto", principalmente com amigos que antes era mesmo difícil encontrar. Esse também pode ser um tempo de aproximação de ideias, de pequenas formas de seguir em frente um dia de cada vez.

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Foi assim que eu comecei a visitar pelas redes sociais brasileiros ao redor do planeta. A maioria deles querendo voltar pra casa e alguns esperando com calma a "chuva passar".

Em quase cinquenta dias de reclusão completei uma volta ao mundo.

Na América do Sul conheci brasileiros que chegaram ao Peru um dia antes do país fechar todas as fronteiras. 

Eles estavam em Cusco isolados em um hotel com turistas ingleses contaminados pelo coronavírus. Seguindo uma inusitada rota de viagem conheci os detalhes do isolamento em Buenos Aires. Minha anfitriã foi uma argentina que tem um site com informações preciosas para turistas brasileiros.

Atravessei o atlântico e cheguei na Europa. Na Itália uma dona de casa me falou do medo que tomava conta do pais. Na Holanda a conversa foi sobre a solidão na quarentena. Em Portugal estive em Lisboa e no Porto, na casa da minha querida amiga Flavia Freire. Outra jornalista, Alessandra Cunha, me recebeu em Londres e falou sobre uma Inglaterra que ainda não estava em reclusão.

Diferente da Alemanha, onde eu também estive, perto de Frankfurt, na beira do rio Reno. Na Rússia uma estudante brasileira me contou que a fronteira com a China foi fechada logo no início desse ano.

E já que a China  era do lado e eu não precisava mesmo de cartão de embarque fui ate lá. Bem perto da cidade de Wuhan onde começou a pandemia. O Paulista Gledson fez um chá verde pra me receber e contar como foi difícil  ficar quase noventa dias sem sair de casa. Da China cheguei a Índia e conheci um grupo que esperava encontrar lugar no ultimo voo humanitário enviado pela embaixada do Brasil.    

Estiquei ate o Nepal e conversei com dois empresários gaúchos que tinham o sonho de escalar o  Everest e agora se deparam com uma missão que ninguém imaginava e seria tão difícil: voltar para Porto Alegre.

Na ponta dos dedos eu cheguei ao Japão. Um divertido casal de Bauru, no interior de São Paulo, me contou que lá também aconteceu aquela corrida maluca por papel higiênico. O detalhe é que muitos banheiros japoneses têm aquele famoso vaso sanitário que de tão confortável dispensa o uso do papel.

E já que a terra é redonda e não é plana, fiz o contorno no globo terrestre e cheguei aos Estados Unidos.
Em Nova York fui até a casa do Clinas e da Síl.

Eles tem um podcast muito legal sobre cultura pop que se chama "Que borra é essa."  A conversa foi tão boa que o tempo regulamentar de uma hora nas lives do Instagram passou como se fosse um minuto.

Essa viagem ainda não tem data pra terminar. Minha última parada foi no continente africano, Moçambique, na África eu também estive em Gana e no Quênia.

São quase vinte países que agora têm nome e sobrenome na minha recente lista de amigos virtuais. E se antes era normal pensar neles como amigos distantes hoje o "novo normal" é determinante: Pra marcar um café, nem exatamente do café a gente precisa mais. Por outro lado dois ingredientes continuam preciosos nesse novo jeito de cultivar amigos: Tempo e atenção.