No mês das noivas: casamentos cancelados e cerimônia com vizinhos na varanda

A jornalista Roberta Scherer e o piloto Cassio tiveram que adiar o casamento (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Elisa Soupin (@faleparaelisa)

Bolo, doce, vestido, local, data, convites enviados. Uma festa planejada nos mínimos detalhes há meses, às vezes há anos e, de repente, todos os planos precisam ser interrompidos. Com a recomendação para fins de aglomerações, a nova epidemia de coronavírus vem causando uma onda de adiamento de eventos, e não está diferente com as cerimônias de casamento.

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Em um setor alimentado por sonhos, tomar a decisão do adiamento é difícil e mexe muito com o psicológico dos envolvidos. Além de envolver também fatores práticos. Nem sempre o fornecedor que você desejava tanto estará disponível para a data remarcada. Muitos poréns aqui.

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Em pleno mês das noivas, em um ano radicalmente diferente no mundo, mulheres que adiaram a festa dos sonhos contam sobre como vêm lidando com a experiência. 

Repórter da Rede Bandeirantes, a jornalista Roberta Scherer iria se casar em maio. Depois de um pedido de casamento romântico, no deserto do Atacama, no Chile, muito ao contrário do frio na barriga que ela esperava estar sentindo às vésperas do casório, a rotina de Roberta tem sido consumida pelas notícias trágicas da pandemia que leva a milhares de lares pela TV. 

“Foi tudo muito rápido, lembro que no começo de março falamos sobre a pandemia e meu noivo falou sobre termos que adiar e eu achei meio exagerado, porque ainda faltava muito. Em três dias tudo mudou”, conta ela, que se casará com o piloto e influenciador Cassio Cortes. 

Sabrina Santos e Christiano Ferreira (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela diz que ficou ansiosa para conseguir uma nova data e remarcou a cerimônia para setembro.

“Fiquei triste no dia que remarcamos a data, muito chateada, pensando que talvez na outra data não acontecesse do jeito que planejamos e sonhamos, e ao mesmo tempo não querendo ficar triste porque tem muita gente perdendo emprego, muita gente morrendo, então ficar mal por causa de um casamento parece egoísta”, diz ela. 

O casal mora em São Paulo, mas o casamento será em Viamão, no Rio Grande do Sul. Roberta se preocupa também com o transtorno dos convidados, que sairiam principalmente do Rio de Janeiro e de São Paulo especialmente para a cerimônia, e precisarão trocar passagem e hospedagem por conta da mudança de data da festa. 

“Minha maquiadora é uma grande amiga e não está disponível na minha próxima data, perdi alguns fornecedores e estou meio sem saco de procurar outros em meio a tudo isso que está acontecendo. Perdeu um pouco a graça e mexeu muito com meu emocional. É pra daqui a três meses, mas sabemos que serão tempos muito difíceis até lá”, lamenta a jornalista. 

O sonhou que ficou para o ano que vem

Sabrina Santos e Christiano Ferreira (Foto: Arquivo Pessoal)

Para a noiva Sabrina, que ficou três anos planejando o seu grande dia, que teria acontecido dia 1º de maio, aceitar que o casamento precisaria ser adiado foi um processo muito doloroso. Sobretudo porque a data disponível para remarcar acabou ficando para abril de 2021.

“Fiquei muito abalada, chorei por muitos dias, queria remarcar para antes, foi muito difícil. Fiquei muito mal mesmo, mas depois vi que meu problema era algo pequeno perto do caos que o mundo está enfrentando”, conta a carioca.

No dia 1º de maio, data que aconteceria a cerimônia, Sabrina ficou ainda mais chateada quando o noivo, Christiano Ferreira, não falou nada sobre o assunto. Mas mal sabia ela que uma surpresa fofíssima havia sido preparada. 

Ele combinou com a irmã de Sabrina uma saída estratégica da noiva e preparou, em seu retorno, uma “festa”, em que cada vizinho do prédio ficou com o celular da varanda participando da “entrada da noiva”. 

“Ele ainda combinou com o celebrante que fez uma ‘cerimônia’ pela TV para a gente”, conta ela. 

Fofíssimo!

Um novo sonho

Os noivos Stephanie Ladwig e Leandro Lixa (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu e meu noivo escolhemos maio porque, além de mês das noivas, é o mês de Nossa Senhora e somos católicos”, conta Stephanie Ladwig. As circunstâncias, no entanto, fizeram com que o sonho fosse adiado. A cerimônia, em um salão tradicional do Centro do Rio de Janeiro, acabou ficando para outubro. 

“É estranho, porque há um tempo eu estaria super ansiosa com a data se aproximando, Não está sendo fácil para nenhum de nós, mas um dá apoio ao outro”, conta a estudante, de 30 anos. 

Stephanie garante que, apesar da frustração, ela e o noivo, o médico Leandro Lixa, não se desanimaram com a mudança de data. 

“Continuamos felizes e ansiosos com nosso casamento. Vamos marcar a data no civil para no máximo o mês de junho. É um sonho para nós esse dia.  Essas situações servem para nos fortalecer”, acredita ela, que não teve problemas em conseguir os mesmos fornecedores para a nova data. 

“Só precisei contratar outra profissional para o dia da noiva, pois a que iria me produzir não tinha a data. Mas acabou sendo até melhor, pois a que irá me produzir agora é uma amiga minha”, comemora ela, otimista.