No Baile da Vogue, Babu diz que vitória de Arthur no BBB 'é a cara do Brasil atual'

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na hora de escolher sua fantasia para o Baile da Vogue, o ator Babu Santana nem pensou duas vezes: lançou um figurino de Zé Pelintra para ir ao evento, que aconteceu nesta sexta-feira (29), no Copacabana Palace, e teve como tema "Brasilidade Fantástica".

Zé Pelintra é um guia espiritual que faz parte da linha dos malandros na Umbanda, considerado o espírito patrono dos bares, locais de jogo e sarjetas. "Tudo a ver comigo", explicou. "É a malandragem no high society carioca", disse, em tom de brincadeira --mas em um discurso que, ele sabe, estava recheado de verdade.

Apesar de ser uma estrela do cinema brasileiro, com elogiadas atuações em filmes como "Cidade de Deus", "Tim Maia" e "Estômago", Babu não conhecia o Copacabana Palace, cenário de retumbantes festas da cidade do Rio, muitas delas ligadas ao audiovisual, diga-se de passagem.

"Passei muitos anos na porta, nunca entrei", disse o ex-BBB, principal porta-voz de temas racistas na versão do programa exibida em 2020. Ele usou o adjetivo "maravilhoso" para definir a sensação de enfim ser um dos "very important person" do Copacabana Palace, mas disse saber que "ainda falta muito" para os negros se sentirem à vontade em ambientes onde são maioria somente entre os funcionários.

"Pertencimento é uma palavra forte, isso aqui nunca vai ser tranquilo para mim", disse, afastando a possibilidade de estar se sentindo inseguro. "Não é isso", rebateu. "Mas se fosse um samba ou um pagode, eu estaria mais à vontade". A questão sobre "como se sentia ali" foi recorrente entre os jornalistas que o abordaram.

Perguntado sobre a edição do BBB que acabou de terminar e teve Arthur Aguiar como vencedor, Babu --sobrevivente de 10 paredões há dois anos, quando ficou em quarto lugar-- disse que a vitória de um homem "branco, bonitinho e de classe média" é a cara do Brasil atual. "Não tenho nada contra o Arthur, mas ele representa uma narrativa de séculos."

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