Nicette Bruno e Beth Goulart relatam casos de Alzheimer na família

Ludimila Honorato
Supera/Divulgação

Conviver com uma pessoa que tem Alzheimer não é fácil. Vê-la se esquecendo dos parentes e de momentos, ficando triste ou agressiva e tendo de reaprender alguns hábitos é um processo árduo. Nessas ocasiões, além do tratamento e acompanhamento médico, afeto e amor são essenciais. Quem diz isso, e recebe respaldo de especialistas, são as atrizes Beth Goulart e Nicette Bruno, que conviveram com três pessoas na família que tiveram a doença.

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Neste 21 de setembro, em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, mãe e filha estão em São Paulo para participar do evento Despertando o Cérebro, no Teatro Gazeta. No último dia 13, as atrizes conversaram com o E+ sobre suas experiências de lidar com familiares com Alzheimer: a mãe, o sogro e o cunhado de Nicette foram acometidos pela enfermidade ou ao menos por sintomas.

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"Ela foi ficando apática, era ativa e foi ficando mais tranquila", relata Nicette sobre a mãe Eleonor Bruno, atriz e cantora que morreu aos 91 anos em 2004. "Nós íamos observando e trabalhando no sentido de não ter nenhuma atitude além de carinho, entendimento e amor." Eleonor não chegou a ser diagnosticada com mal de Alzheimer, mas o médico percebeu que ela estava entrando em uma fase senil. Os sintomas foram perda de agilidade mental, esquecimento e confusão.

Beth lembra que o convívio com a avó era intenso, pois a mulher morava com ela na casa de Nicette e Paulo Goulart. "[A doença] vai afastando a pessoa que você tanto ama. É muito triste e doloroso passar por isso, mas o afeto e o amor são ingredientes fundamentais. Parece que a pessoa não percebe, mas ela sente o carinho que está recebendo", afirma.

Affonso Miessa, pai do ator já falecido Paulo Goulart, foi diagnosticado com Alzheimer, mas o contato das atrizes com ele não era diário. Nicette recorda que a manifestação da doença, embora com aspectos semelhantes, era diferente da mãe dela. "Ele teve não só esquecimento, que foi grande, mas de não reconhecer as pessoas. Às vezes, ficava agressivo, que não era o estado normal dele. Nós não tínhamos com ele a mesma participação que tivemos com mamãe, mas estávamos sempre com ele transmitindo atenção para ele não se irritar", relata.

Outro caso vivido pela família foi com Milton Carlos Miessa, irmão de Paulo Goulart. O homem também foi morar com Nicette e o marido quando a mulher dele faleceu. "Meu cunhado foi mais grave, porque [a doença] afetou muito a compreensão dele no cotidiano. Depois que Paulo faleceu, ele [Milton] continuou morando com a gente", conta Nicette.

Afeto para quem tem Alzheimer

A neurologista Sônia Brucki, da Universidade de São Paulo, confirma que o afeto e o envolvimento da pessoa com Alzheimer pela família ou cuidadores são importantes. "Você percebe na prática clínica que idosos com Alzheimer que não são estimulados evoluem de forma diferente daqueles que tiveram muito estímulo familiar. Atualmente, além do carinho, as famílias têm à disposição na internet vários tipos de exercícios que dá para fazer com o idoso", diz.

Para manter a qualidade de vida dessa pessoa, a especialista orienta, primeiro, a ter compreensão. Com isso, sabendo das consequências da doença, a família permite que o indivíduo faça o máximo de tarefas possível. "Quanto mais estímulo, melhor para o paciente se manter mais ativo, comunicativo e diminuir sintomas de depressão. Ele tem um melhor bem-estar como um todo." Não isolar a pessoa e incentivá-la a acompanhar nas atividades do dia a dia também surtem efeitos positivos.

Exercício para o cérebro e Alzheimer

Embora a doença de Alzheimer tenha causas multifatoriais, sem um gatilho definido, é importante manter-se saudável e com o cérebro ativo para evitar ou retardar o aparecimento da enfermidade. Sônia afirma que jogos de lógica, tabuleiro e exercitar a criatividade de diferentes formas são favoráveis nesse sentido. "Qualquer coisa que a pessoa faça para manter o cérebro ativo mais tempo possível. Assim como exercício físico, manter boa dieta, bom humor, círculo de amizades e família. Tudo isso ajuda na manutenção do bem-estar", diz.

Supera/Divulgação

Beth Goulart e Nicette Bruno têm a vantagem da profissão. Decorar textos e mergulhar na vida de outra pessoas ao interpretar um personagem faz com que seus cérebros estejam sempre ativos. Para complementar a vantagem, elas são adeptas do método Supera, curso que se propõe a desenvolver as capacidades cognitivas, em qualquer idade, por meio de atividades com ábaco — instrumento milenar para cálculos —, desafios de lógica, jogos de tabuleiros, jogos online e dinâmicas em grupo.

Entre os benefícios do método, as atrizes destacam a amplitude de comunicação (como se expressar por meio de formas geométricas), exercício da socialização e maior potencial da capacidade criativa. A cientista social Solange Jacob, diretora acadêmica do Supera, fala da importância de exercitar o cérebro em qualquer idade.

"Tudo o que nós fazemos, tudo o que nós aprendemos modifica o cérebro e nos faz ser quem nós somos. Portanto, a melhor maneira de nós cuidarmos do nosso cérebro, além de investir na saúde dele com exercícios físicos e mentais, na alimentação correta e quantidade de sono adequada, é usá-lo muito bem. Quanto mais usarmos o cérebro, melhor ele fica e com mais capacidade para continuar aprendendo e fazendo coisas novas", afirma Solange.