Nem as redes sociais aguentam mais tanto Photoshop e filtros

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Fashionable Young woman take a selfie against blue background.Studio shot
A Noruega proibiu que fotos editadas sejam postadas sem sinalização (Foto: Getty Creative)

Na última semana, as notícias sobre o Instagram causaram muitas reações - de um lado, criadores de conteúdo reagiram ao anúncio do manda-chuva da rede social, Adam Mosseri, de que a rede não é mais focada em fotos, mas em vídeos; de outro, veio a Noruega com uma nova lei que proíbe a publicação de fotos sem que seja sinalizado o uso de Photoshop. Enquanto o primeiro tópico pode ser discutido e explorado por horas, vamos, hoje, falar sobre o segundo ponto e o quanto ele acompanha uma tendência mundial.

Primeiro: o que diz a Noruega?

A lei norueguesa é, na verdade, uma atualização de uma Lei de Marketing publicada em 2009, e tem o objetivo de combater a dismorfia corporal causada, muitas vezes, pelo excesso de contato com imagens photoshopadas e bastante retocadas nas redes sociais. A ideia tem a ver também com combater padrões de beleza irreais ainda muito perpetuados por essas mídias, e é aplicável, principalmente, para influenciadores digitais. O descumprimento da lei gera multas crescentes, de forma que casos extremos podem levar à prisão.

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Não é novidade que as redes sociais têm um efeito na autoestima, principalmente a feminina, o que tem levado mais meninas e mulheres em busca de melhorar a aparência com base, inclusive, nos filtros do Instagram. Em 2017, um estudo desenvolvido pela Academia Americana de Cirurgiões Plásticos comprovou que a motivação de mais da metade das pessoas que fizeram rinoplastias naquele ano (55% ao todo), foi um desejo por sair melhor nas famosas selfies.

No ano passado, o próprio Instagram anunciou que proibiria filtros que ativamente demonstrassem mudanças físicas nos rostos dos usuários (lábios maiores, rostos mais finos, narizes mais empinados), de forma que simulem mudanças possíveis nas feições de alguém. O objetivo é, também, combater o efeito desses filtros na autoestima, principalmente das mulheres mais jovens.

A tendência global é a… honestidade?

Para alguns, a decisão da Noruega foi extrema - e talvez seja pouco efetiva, afinal, como, de fato, fiscalizar todos os influenciadores e suas postagens e garantir que elas foram editadas e, portanto, devem ser multadas ou não? Para outros, é um passo importante no combate a uma questão estrutural.

Há tempos, movimentos como o body positivity ou o acne positivity, que tem como objetivo celebrar corpos diferentes e peles diferentes daquelas vendidas como "ideais" (lisinhas, brancas, sem poros…), tem ganhado espaço nas redes sociais. Não só isso, mas há algum tempo também surgiu uma nova tendência nas redes sociais, especialmente de mulheres mais novas, de postar fotos e Stories absolutamente sem filtros, numa forma particular de contravenção aos padrões e à "perfeição" vendida pelas redes sociais. No Brasil, influenciadoras como Marieli Mallmann e Joana Moura já aderiram à ideia também, usando as redes como uma forma de desconstruir esses padrões e questionar o que o mundo chama de "beleza ideal".

É um comportamento comum no mundo ir à extremos comportamentais - ir da maquiagem superpesada para o rosto limpo, sem nada, da rotina de skin care de 10 passos, para os dois produtos naturais que resolvem uma rotina de cuidados com a pele. Até então, as redes sociais eram recheadas de um extremo: as vidas perfeitas, retocadas, sem qualquer defeito, sem dobrinhas na barriga ou poros alargados, de férias paradisíacas e cafés da manhã perfeitamente posicionados para uma foto incrível. Tudo girava em torno dos números e do visual perfeito, não necessariamente do conteúdo e do impacto no mundo.

Agora, vemos uma politização muito maior. A pandemia de coronavírus mostrou a importância do posicionamento político, de olhar para o contexto e agir de acordo e, acima de tudo, da responsabilidade social de pessoas com um público grande. Evitar o excesso de retoques ou, no mínimo, sinalizar que esses retoques acontecerem parece mínimo diante de todo esse contexto, mas são passos mais próximos da transparência que, ao que tudo indica, todo mundo quer tanto na vida online, quanto offline.

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