Nelsinho Baptista avalia Jô e Honda e revela aposentadoria no Japão

Nelsinho Baptista, num dos jogos pelo Sport, em 2018. Foto: Anderson Freire/AGIF

Nelsinho Baptista é o único técnico brasileiro trabalhando no futebol japonês. O treinador recebeu uma proposta por um contrato de cinco anos e pretende encerrar sua carreira no Kashiwa Reysol.

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Pai de Eduardo Baptista, Nelsinho concedeu uma entrevista exclusiva ao blog, comentando o momento do país com a pandemia do coronavírus, além de analisar o futebol atual e jogadores como Honda e Jô.

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Como está o trabalho no Kashiwa Reysol?

Voltei para cá no início de 2019, depois de algumas conquistas. Foram 16 anos de futebol japonês e começamos a ganhar novamente. O presidente do Kashiwa me ofereceu um contrato até 2025 e resolvi aceitar. Graças a Deus, estou com saúde e trabalhando muito feliz. Isso no Brasil seria impossível. Não assino multas nos meus contratos. Se o clube quiser e eu quiser, cada um vai para seu lado. No Japão, existe multa no contrato por determinação. Não tenho mais vontade de voltar ao Brasil para trabalhar. Pretendo encerrar a carreira aqui no Japão. Hoje, sou o único técnico brasileiro aqui no Japão. São sete, oito estrangeiros na J-League (Primeira divisão).

Como está o Japão com a questão do coronavírus?

A situação não está fácil como no mundo todo. Aqui, até se decidir pelo adiamento da Olimpíada, tínhamos pouca informação. Depois da decisão pelo adiamento, começaram a sair as informações. Tóquio tem 50% dos trabalhadores que residem em cidades próximas. Aqui, por causa da Guerra, o governo não pode decretar uma quarentena, que a população não saia de casa. Isso afetou um pouco porque eles comemoram muitas datas nas ruas e parques. Decretaram emergência até 31 de maio. Estamos em segurança agora e 90% da população está aderindo. Até o final de maio, tudo deve melhorar.

O senhor fala japonês?

Entendo algumas coisas, mas é bem complicado. É muito difícil. Eles brincam que o português é difícil, imagina o japonês (risos). Trabalho com um tradutor e costumo mostrar meus treinos e palestras em projetores.

Corinthians pensa em repatriar o Jô (Nagoya Grampus). Como ele está?

Jô teve um probleminha com o treinador italiano. O que eu sei é que existe um problema entre os dois, mas não posso me aprofundar. Se não me engano, ele teve uma lesão e foi para o Brasil se recuperar.

Como o senhor avalia o Honda, hoje no Botafogo?

Eu conheço o Honda muito bem. Quando eu estava no Nagoya Grampus, o seu colégio foi treinar conosco para eu observar um centroavante chamado Toyota, mas gostei mesmo do Honda. Logo nos primeiros dias, eu comecei a observá-lo e tive que arregaçar as mangas para domá-lo porque ele sempre teve muita personalidade. Depois, em dois meses de Nagoya, ele já era titular da equipe. É muito técnico, com muita cabeça, tem uma mobilidade onde está sempre no espaço certo, com leitura muito boa. E ainda é muito perigoso próximo à área, com bom poder de finalização. Os atletas japoneses são muito disciplinados.

Teu filho, Eduardo Baptista, está tendo dificuldades para se consolidar como técnico?

Esta é a primeira vez que estou falando assim, de uma situação que ele passou no Palmeiras. Conversava muito com ele e antes dele ser treinador, falei para ele. Você sabe que vai acontecer tudo o que eu passei com você. Apesar de tudo, ele teve uma passagem boa pelo Palmeiras, com um percentual muito bom. Logicamente, um treinador novo teria que ganhar um título e quando ele foi eliminado pela Ponte Preta no Paulista, foi o maior peso e os dirigentes resolveram mudar. Também falo para ter cuidado onde vai, porque às vezes você se precipita e acaba criando um problema. Dirigente quando vem te contratar estende o tapete vermelho, mas dois, três resultados negativos... Dirigente brasileiro não tem personalidade. É só a torcida começar a gritar burro, burro, eles já querem te tirar. Não sabem nem as filosofias e não tem critérios para contratar treinadores. Analisam para tapar a boca da imprensa. Por isso, treinador brasileiro não tem reconhecimento. No Japão, te dão tempo para trabalhar.

Iniesta está “sobrando” no futebol japonês?

Olha, aqui o pessoal está respeitando ele. No primeiro ano, os caras estão estudando o jogador. No início, os japoneses davam muito espaço para ele, mais para o final da temporada já não estavam dando mais. Ele é um jogador fantástico. Se posiciona bem e o japonês joga a bola para ele, porque sabem que ele decide. Não corre atrás de ninguém, mas se posiciona bem e quando recebe a bola, mostra toda a qualidade.

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