Nego do Borel: as polêmicas que puseram sua carreira e imagem em xeque e até perder uma vaga no ‘BBB 21’

Carol Marques
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“Um menininho muito pobrinho que só sabia pensar em bumbum. A menina muito riquinha que não olhava de jeito nenhum. Hoje, um dia o menino cresceu, e a menininha joga o bumbum. Sou mais um diamante retirado do meio da lama”. O trecho, de “Diamante na Lama”, de 2014, pode resumir em poucas palavras a ascensão e queda de Nego do Borel. O menino nascido na década de 1990, numa das favelas mais violentas da Zona Norte do Rio na época, foi batizado em homenagem a dois grandes artistas do pop. John Lennon e Michael Jackson. Pela incerteza da grafia, foi registrado Leno Maycon Viana Gomes. O sonho de criança? Ser grande, ter um destino diferente do reservado a ele pelas estatísticas. Tentou o futebol. Não deu. Foi no funk que se criou, cresceu e corre sério risco de desaparecer após o envolvimento em dezenas de polêmicas.

A última delas é permeada de acusações bem sérias de agressão física, estupro e abuso psicológico. Todas elas feitas pela ex-noiva Duda Reis e endossada por pelo menos três ex-namoradas do cantor. “Ele sempre foi uma bomba relógio pronto para explodir. Ao mesmo tempo em que tem garra e criatividade, também possui um temperamento difícil, carregado de baixa autoestima, que destruiu o que ele conseguiu conquistar”, opina um produtor, que trabalhou três anos com Nego.

A carreira que começou em 2012 com o Bonde das Maravilhas chegou ao auge em 2015, quando Nego do Borel assinou seu primeiro contrato com a Sony. A multinacional apostou fichas altas no rapaz, que lotava shows, tinha milhões de visualizações nas plataformas digitais e ainda carregava a história de uma Cinderela do Morro. Ele deveria fazer pelo menos três álbuns e alguns DVDs. Gravou clipe com a amiga Anitta e Wesley Safadão, e uma parceria internacional com Maluma, uma das maiores estrelas latinas do momento.

A parceria festejada inclusive com disco de platina e platina duplo na sede da empresa, em Miami, em 2017, acabou mal em dezembro de 2019. Numa reunião, a portas fechadas, o presidente da gravadora, Paulo Junqueiro, demitiu Nego. “Dava para ouvir os gritos lá dentro. Nem adiantava desmentir, todo mundo ouviu”, relata uma funcionária.

Nego vinha de uma sucessão de confusões. A que culminou com seu desligamento foi a declaração transfóbica que fez ao elogiar a transexual Luisa Marilac, a chamando de “um homem bonito”. Caiu na rede e o cancelamento veio na sequência.

O funkeiro iria gravar um DVD na semana seguinte ao sururu provocado. A data foi cancelada. A participação de nomes, como Ludmilla, idem. Para passar um pano para o amigo, Anitta o convidou para cantar com ela num dos ensaios do Bloco das Poderosas, em janeiro de 2019. Ele teve que sair do palco, debaixo de vaias, e a cantora depois disse que não imaginava a repercussão do caso Marilac.

Multa de R$ 3 milhões

Sem gravadora e detonado por parte de seu público, os shows, que chegaram a 40 por mês, com cifras de R$ 80 a R$ 100 mil cada, escassearam. Nego então também foi dispensado por seu empresário Tuka Carvalho, em fevereiro do ano passado. Assim que a carreira começou a derrapar, ele havia procurado a empresa do ex-namorado de Anitta para gerenciar a crise em que estava. Como não cumpriu o que foi combinado, a ele foi aplicada a multa contratual de R$ 3 milhões. “Ele parcelou essa dívida em dez prestações de R$ 300 mil”, diz uma fonte.

Com isso, as finanças de Nego também seguiram a trilha da derrota. Uma dívida com o proprietário de sua antiga casa em Curicica, na Zona Oeste do Rio, a primeira mansão que comprou, o impediu de vendê-la por cerca de R$ 1,5 milhão. O outro imóvel em que mora no Recreio, também na Zona Oeste, custou R$ 2 milhões e passou boa parte de 2020 com condomínios atrasados. Quem bancava a maior parte das despesas da casa era Duda, que permaneceu, entre idas e vindas, três anos com Nego.

Crises de ciúme e agressão

Em julho de 2015, a assessora de imprensa Swellen Sauer, que namorou Nego por cerca de dois anos, relatou que eram constantes as brigas entre o casal, motivadas pelo ciúme da parte do funkeiro e narrou uma briga que tiveram, em que o cantor teria tentando enforcá-la com um carregador de celular.

“Ele não gostou porque eu encontrei um outro MC com quem havia trabalhado e tentou me enforcar com o carregador do celular. Não foi nada grave, mas ficava com medo”, minimizou ela, que descartou denunciá-lo à polícia. “Na época, eu era assessora de imprensa dele e tinha que preservar a sua imagem. Swellen também lançou, em maio de 2016, o livro "Nasci para ser traída", que descreve a relação conturbada com o artista.

Crislaine Gonçalves, a namorada seguinte, acusou o cantor de agressão. Em julho de 2015, ela usou o Facebook para dizer que tinha apanhado de Nego no final da festa de aniversário dele. Ele negou e ela voltou atrás, mas confidenciou a amigos que foi obrigada a se desmentir por medo do ex.

Em dezembro do ano passado, a modelo Julia Schiavi, que namorou Nego do Borel antes de Duda Reis, soltou o verbo contra ele após a notícia do fim do noivado com Duda por traição da parte do cantor. No desabafo, Julia afirmou que o universo da da fama é "sujo e podre".

A pá de cal

“Infelizmente, o que já era cantado antes, está acontecendo. Além de não gravar nenhum sucesso há dois anos, A carreira dele acabou. Essa foi a pá de cal que faltava”, sentencia um poderoso empresário do ramo. A volta por cima poderia ser dada com sua entrada no “BBB 21”. Nego já se preparava para o confinamento do grupo Camarote quando as acusações de Duda Reis vieram a público. “Havia três nomes famosos com o mesmo perfil, mas ele já tinha sido escolhido por Boninho e o término da relação com a namorada já era uma estratégia para ele entrar solteiro na casa. Mas diante de toda a repercussão dos últimos dias, não deu para segurar essa bomba”, confidencia uma amiga do cantor.

Em 2014, quando estourou com o hit “Caras do Momento”, Nego do Borel disse numa entrevista que só ouvia música gospel em seu carrão de muitos mil reais. Mostrou um vídeo de cantores gospel e chegou a conclusão que em breve gostaria de parar com o funk e seguir no gênero evangélico, no qual foi criado. “Eu quero aceitar Jesus: E isso não está longe de acontecer".