Jornalista da Globonews chora com reportagem sobre 27 milhões de pessoas com fome no Brasil

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Natuza Nery chorou na Globonews (Foto: Reprodução / Globonews)
Natuza Nery chorou na Globonews (Foto: Reprodução / Globonews)

A comentarista política Natuza Nery chorou nesta sexta-feira (17) ao vivo durante o “Jornal GloboNews” após ser exibida uma reportagem que contava sobre os mais de 27 milhões de brasileiros que se encontram abaixo da linha da pobreza e são considerados que passam fome.

“Nós não vamos dar certo. Não tem como o Brasil dar certo se essas pessoas não tiverem trabalho e o mínimo de dignidade: a condição de alimentar os filhos”, relatou com os olhos marejados após voltar para o ar ao fim da reportagem.

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A comentarista ainda completou: “Estas pessoas já não têm muito futuro porque não tiveram a educação, seja por acesso ou condições. Muitos precisaram trabalhar muito cedo. Os filhos parecem condenados a ter o mesmo passado dos pais.”

Ela ainda apontou que os membros do congresso e dos ministérios, que ocupam cargos em Brasília, não sabem da dor do povo. “Concluí que todo ministro precisa fazer um estágio pelo Brasil. Se você não conhece, é muito fácil discutir política fiscal, turbulência política. O difícil é melhorar a vida destas pessoas”, argumentou.

Desde o início da pandemia os movimentos sociais se mobilizaram para socorrer pessoas mais vulneráveis. “Com uma grande insegurança alimentar, estas pessoas só estão de pé porque existe muita solidariedade. E quem é solidário não consegue dormir porque sabe que ainda existem muitas outras pessoas precisando de ajuda. Toda vez que eu me deparo com isso, eu lembro do meu propósito como jornalista. Vou exigir, cobrar e criticar as autoridades para elas saberem que não podem viver tranquilas”, reforçou.

Insegurança Alimentar no Brasil

Certeza da comida na mesa se tornou um luxo que apenas 59% da população brasileira tem acesso. Os outros 41% convivem com a fome ou estão em algum grau de insegurança alimentar, conforme números da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF).

Das 84,9 milhões de pessoas nesta parcela, 27% vivem com insegurança alimentar leve, quando há incerteza em relação ao alimentos no futuro, além de perda na qualidade da alimentação. Outros 13,9% vivem em insegurança moderada ou grave, quando não existe qualidade ou quantidade adequadas de comida. São nesses estágios que a fome aparece.

Segundo o levantamento, o gasto per capita mensal com alimentos pela população com acesso regular à alimentação básica foi de R$ 247,46, enquanto o dos que estão em algum grau de insegurança alimentar foi de R$ 153,49.

Entre as 42% das famílias que viram alimento faltar na mesa, 8,4% são integrantes de casas chefiadas por negros ou pardos. Neste cenário, escolaridade também foi determinante. Metade das células familiares lideradas por pessoas com ensino fundamental incompleto esteve em situação de insegurança alimentar.

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