Nathalia Dill sobre aborto: "Mesmas pessoas que são contra defendem que ‘bandido bom é bandido morto’"

Nathalia Dill. Foto: reprodução/Instagram/nathaliadill

Nathalia Dill não dá atenção aos haters, mas não deixa de manifestar suas posições políticas ou de opinar sobre temas considerados polêmicos. No ar como a Fabiana de “A Dona do Pedaço”, a atriz reprova a tentativa de censura no audiovisual brasileiro e defende a descriminalização do aborto.

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Em entrevista à revista “Ela”, do jornal “O Globo”, a artista conversou, entre outros assuntos, sobre esses temas e comentou como lida com reações mais agressivas. “Só posto o que tenho muita certeza e não respondo aos comentários de ódio”, explicou.

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Sobre a interrupção da gravidez, a atriz vai direto ao ponto e afirma: “Ninguém é a favor do aborto, até quem faz não gosta. Mas é uma questão de saúde pública e deve ser olhada desta forma. Acho muito cruel criminalizar uma pessoa que já está numa situação tão desfavorável”.

Segundo Nathalia, existe muita hipocrisia na discussão desta questão. “Deixar o aborto nesse lugar da ilegalidade é uma forma higienista de tentar eliminar da sociedade as pessoas com pouca renda, já que as ricas têm acesso a clínicas de qualidade e as pobres morrem. Além do mais, o Estado não ajuda a mulher a cuidar desta criança, que nasce, fica à deriva e se torna excluída. Depois cresce e vai assaltar. As mesmas pessoas que são contra a interrupção da gravidez defendem que ‘bandido bom é bandido morto’ e são a favor das armas e da pena de morte”, criticou.

Para ela, as redes sociais podem ser um lugar positivo para trazer luz a certos temas, como o feminismo. “Por um bom tempo, foi um movimento ridicularizado, tachado de coisa de mulher mal-amada. Quando surgiu a campanha ‘Mexeu com uma, mexeu com todas’, em 2017, eu e várias atrizes decidimos criar um grupo para estudarmos estas questões”, contou ela, que faz parte da comissão da conta de Instagram do grupo Xota Power.

A educação é outro assunto caro à atriz, que se manifestou contra o corte de verbas, por parte do governo federal, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Quem tem projeção deve jogar luz em determinados problemas, o artista tem a função de questionar o status quo da sociedade. Acredito muito na pesquisa científica e tenho pais professores. Cresci acompanhando as aulas da minha mãe na UFRJ. O que de público temos de melhor são as nossas universidades, que estão com a corda no pescoço”, explicou.

Em relação à intenção do governo Bolsonaro no financiamento público de produções audiovisuais com temáticas LGBT, ela também denuncia: “É a volta da censura, né? Não achei que a gente fosse viver isso de novo. O Caetano (Veloso) da nossa geração é o Caetano novamente. Nem deu tempo para ser o neto do Caetano. É muito triste”, lamentou.