‘Narcos’ é muito mais do que a história de um homem

Paulina Gaitán e Wagner Moura em cena da série (Divulgação/Netflix)

Estreou na Netflix nessa sexta-feira, 2 de setembro, a aguardada segunda temporada de ‘Narcos’. A série, que em sua primeira parte mostrou a ascensão de Pablo Escobar durante anos, agora foca os últimos seis meses de vida do narcotraficante e o embate que ele empreendeu contra o governo colombiano, os órgãos governamentais norte-americanos (CIA e DEA), traficantes concorrentes e paramilitares. E, de cara, uma coisa boa: agora ninguém mais vai perder tempo com infrutíferas discussões sobre o sotaque de Wagner Moura (que, por sinal, continua excelente).

Desta vez José Padilha deixa a direção (assim como Fernando Coimbra), que é dividida por Andrés Baiz, Josef Kubota Wladyka, Batan Silva e Gerard Naranjo (do ótimo ‘Miss Bala’). É basicamente o que muda. O resto está lá: a brilhante atuação do elenco, em especial Wagner Moura no papel de Pablo; as cenas de tensão e confronto entre traficantes e policiais, a obsessão dos agentes Murphy (Boyd Holbrook) e Peña (Pedro Pascal).

Há personagens que ganham força, como Tata (Paulina Gaitan), mulher de Pablo, e outros que surgem e crescem na história – caso de Limón (Leynar Gomez). Enquanto a primeira temporada se detinha na construção dos tipos humanos, a segunda temporada é marcada pelo movimento – as alianças e traições são mais presentes e as cenas de ação permeiam todos os episódios.

José Padilha já disse que há uma razão para a série se chamar ‘Narcos’ e não “Pablo Escobar’ – a ideia não é contar a história de um bandido, mas dos descaminhos do tráfico de drogas. Isso fica claro nesta segunda temporada. Não é apenas a narrativa sobre a derrocada de um megatraficante: ali está a história de um país e uma sociedade esfacelada pelo crime organizado, pela violência e pela corrupção. Uma sociedade que, tal um doente em estado gravíssimo, aceita qualquer meio para justificar um fim – no caso, livrar-se de Pablo Escobar.

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O problema, como ficou provado posteriormente, é que Escobar era apenas um elemento no estado patológico ao qual a Colômbia havia chegado. O tráfico continuou firme após a morte do contraventor e só nos últimos anos tem dado sinal de arrefecimento. Serve como uma espécie de “parábola” para o Brasil, onde vemos o tráfico se fortalecendo sistematicamente ano a ano. Não é à toa que José Padilha, o diretor que balançou alicerces como seu ‘Tropa de Elite’, tenha se envolvido em um projeto como ‘Narcos’.