“Não temos que nos envergonhar de quem somos”, ressalta modelo com alopecia

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Jovem branca, morena, de top preto
Modelo teve os primeiros sintomas de alopecia aos 11 anos (Foto: Arquivo pessoal)

A piada do comediante Chris Rock sobre a aparência da atriz Jada Pinkett Smith durante a cerimônia do Oscar 2022, no último domingo (27), gerou muitas discussões na internet. Primeiro por conta das agressões — o comentário de Rock e a reação de Will Smith, marido de Jada, com um tapa no rosto do humorista — e segundo por causa da condição de saúde da atriz. Jada sofre de alopecia, motivo que a fez raspar a cabeça.

Jada Pinkett Smith, de vestido verde, com gola alta, no tapete vermelho do Oscar 2022
Jada Pinkett no tapete vermelho do Oscar 2022, realizado no Dolby Theatre in Hollywood, em 27 de março (Foto: AFP / ANGELA WEISS)

Com isso, o episódio gerou buscas sobre a condição que causa queda de cabelo – que pode ser reversível ou não – e deu voz a mulheres que sofrem do mesmo problema.

É o caso da modelo maranhense Amanda Lemos, hoje radicada em São Paulo, que compartilhou um pouco do seu processo com o quadro com os seguidores no Instagram. Amanda começou a sentir os primeiros efeitos da alopecia androgenética quando tinha 11 anos. O quadro piorou gradualmente até que ela completasse 16 anos, quando começou a buscar tratamento.

“No meu caso, quando passo por situações de estresse, a queda do cabelo se acentua, além de episódios como amamentação, anestesia e até após sofrer de Covid-19. A diferença é que no tipo de alopecia que eu tenho, recuperar os fios é muito mais difícil”, disse ao Yahoo.

Trabalhando como modelo, Amanda tentou de tudo: remédios, spray e até um tipo de pó que aumenta temporariamente a espessura dos fios. “Foi quando acabei me estressando, cortei o cabelo curto e assumi a calvíce”, lembra.

Jovem branca, de cabelo escuro, repartido no meio.
Modelo teve os primeiros sintomas de alopecia aos 11 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar de sentir-se livre para assumir as “falhas” no couro cabeludo, ela notou que começou a perder trabalhos. “Chegou uma determinada fase, já adulta, com cerca de 21 anos, que eu comecei a tratar com naturalidade... Falar sobre com as pessoas mais próximas, fazer piada. Mas profissionalmente era extremamente desconfortável, pois nos trabalhos as pessoas que faziam meu cabelo muitas vezes não poupavam comentários e, às vezes, faziam questão de reclamar, como se eu fosse culpada por não ter cabelo, como se eu tivesse enganando o cliente”.

Para se sentir mais confortável no ambiente profissional e também ter o cabelo que sonhou por muitos anos, ela recorreu à prótese capilar.

“Hoje eu lido com muita tranquilidade, falo pra qualquer pessoa sem constrangimento que sou careca e que uso uma prótese. Vejo que assumir isso é uma forma de encorajar outras mulheres que se sentem culpadas por não ter cabelo. Eu sempre falo que temos que ser quem somos e que a gente não tem que se envergonhar por nenhuma característica física”, relata.

O que é alopecia?

De acordo com o médico tricologista Ademir Carvalho Leite Júnior, a alopecia corresponde à redução da densidade capilar em um indivíduo. Ou seja, é a perda de cabelo ou pêlos em uma parte específica do corpo ou da cabeça, área mais comumente afetada.

“Em geral, quando o paciente busca auxílio de um profissional especializado, a alopecia só consegue se tornar perceptível à observação clínica quando é responsável por comprometer ao menos 25% a 30% da quantidade normal de cabelos que o sujeito possui”, explica o especialista.

Quais são os tipos diferentes de alopecia?

Alopecias não cicatriciais

Alopecias do tipo não cicatricial podem ser acompanhadas de inflamações que são, normalmente, mais brandas e não provoca danos permanentes.

“Elas podem ser tratadas e, por esse motivo, permitem que o acometido mantenha seus cabelos em quantidade e qualidade normais ou muito próximo a isso”, esclarece o médico.

Essa perda de fios surge de distúrbios capilares que não resultam em aspecto cicatricial do couro cabeludo, como alopecia androgenética, que causa queda e afinamento dos fios, e alopecia areata, caracterizada pela perda de pelos em regiões ovais do couro cabeludo, ou em outras partes do corpo, como cílios, sobrancelhas e barba.

Alopecias cicatriciais

Alopecias cicatriciais são aquelas em que a área acometida não apresenta folículos ou foi destruída por processos inflamatórios ou agressões importantes, como tração excessiva, queimaduras e cortes.

“Elas costumam ser mais preocupantes e requerem urgência no diagnóstico correto e no tratamento, uma vez que sua perda capilar pode ser irreversível”, diz o tricologista.

Isso se deve, explica Ademir, ao fato de que as células-tronco presentes no folículo, responsáveis por reiniciar o ciclo de crescimento capilar, foram destruídas, resultando em uma redução permanente da densidade de folículos pilosos na região acometida.

Casos como estes são muito comuns, e este tipo de alopecia pode estar relacionado a:

  • Lúpus eritematoso cutâneo (doença de pele);

  • Líquen plano pilar (quadro inflamatório);

  • Foliculite decalvante (foliculite crônica);

  • Alopecia fibrosante frontal (doença que leva à perda irreversível de pelos).

Tratamento

Para a alopecia androgenética, de acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), usa-se, para o tratamento estimulantes do crescimento dos fios como o minoxidil e bloqueadores hormonais, a fim de evitar o progresso do quadro e recuperar parte da perda.

Os bloqueadores hormonais são medicamentos via oral; nos homens, a finasterida é a mais usada. No caso das mulheres, anticoncepcionais, espironolactona, ciproterona e a própria finasterida podem ser receitados por médicos. Outra saída, como optou Amanda, é fazer um transplante capilar, capaz de melhorar o aspecto estético.

Se o paciente sofre de alopecia areata, além dos tratamentos citados acima, em alguns casos também são usados corticóides e antralina, que podem ser associados a tratamentos mais agressivos como sensibilizantes (difenciprona) ou metotrexate.

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