Não é só HIV: veja as infecções sexualmente transmissíveis que a gente ignora

Infecções sexualmente transmissíveis – Getty Images

Apesar de toda a informação disponível e exemplos significativos de casos de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), os casos de HIV e outros vírus continuam crescendo. De acordo com o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, foram identificados 247.795 casos de 2007 até junho de 2018 e estima-se que 1,8 milhões de pessoas vivem com o vírus na América Latina.

Isso porque muitos jovens atualmente ignoram o uso de preservativos e confiam na sorte na hora de fazer sexo sem proteção. Uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com 100 mil alunos entre 13 e 15 anos mostra que apenas 66% dos jovens afirmam ter usado camisinha.

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O Ministério da Saúde também levantou dados que comprovam a falta de responsabilidade dos jovens nesse quesito. Cerca de nove em cada 10 pessoas entre 15 a 19 anos possuem conhecimento que a camisinha é o método mais eficaz para se proteger — não apenas do HIV –, mas ainda sim, seis em cada 10 relatam não ter usado.

Outro ponto a ser considerado é que grande parte dos heterossexuais preocupam-se apenas com a gravidez, ignorando completamente o risco de se contrair alguma infecção. Isso está ligado à ideia obsoleta de que apenas integrantes da comunidade LGBTQ são suscetíveis ao risco de infecções – o que é um grande equívoco.

O interessante é comparar o Brasil com outros países. Na Europa, por exemplo, pouco se fala sobre camisinha e os riscos de infecções.  Na Irlanda, um levantamento aponta que a infecção sexualmente transmissível mais popular é a clamídia, que é causada por uma bactéria. Muitas pessoas desconhecem esse vírus, assim como muitos outros que podem ser transmitidos sem o uso de preservativo.

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Além disso, a maioria das infecções podem ser silenciosas e não apresentarem sintomas. Por isso vale ressaltar que não é apenas o HIV que precisa ser debatido, mas também outras infecções que apesar de terem nome popular, ainda permanecem um enigma para grande parte da população. Confira as doenças mais comuns e não deixe de fazer o teste regularmente para saber se está tudo bem. E use caminha, sempre!

Sífilis

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis tem cura e possui estágios diferentes: primário, secundário, latente e terciário. Nos dois primeiros apresentam-se sintomas e a possibilidade de transmissão é maior. Nos últimos, não há sintoma nenhum e isso faz parecer que a pessoa está curada.

Entre os sintomas no caso primário estão: feridas no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Já no secundário, os sintomas podem aparecer entre seis semanas e seis meses do surgimento da ferida inicial. Pode gerar manchas pelo corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e caroços pelo corpo.

Como não apresentam sintomas, os últimos casos precisam de maior atenção, daí a importância de fazer o exame regularmente. O tratamento é realizado com penicilina benzatina, que poderá ser aplicada nas unidades básicas de saúde. Em 2011, 7% dos jovens entre 13 e 19 anos foram vítimas da sífilis, número que aumentou para 10,8% em 2016, de acordo com o Ministério da Saúde.

Clamídia

É causada por uma bactéria que é transmitida por meio do sexo vaginal, anal ou oral.De acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC/2017), a maioria dos casos acontece em pessoas na faixa etária entre 15 e 24 anos.

A maioria dos casos não apresenta sintomas, cerca de 70 a 80%. Mas quando se manifestam, aqui esão alguns deles:

Mulheres: corrimento amarelado ou claro; sangramento espontâneo ou durante as relações sexuais; dor ao urinar e/ou durante as relações sexuais e/ou no baixo ventre (pé da barriga).
Homens: ardência ao urinar, corrimento uretral com a presença de pus e dor nos testículos.

Se não tratada, a clamídia pode causar infertilidade, dores crônicas na pélvis e dores durante relações sexuais e complicações na gravidez. O tratamento é realizado por meio de antibióticos e pode durar entre um dia e uma semana.

Gonorreia

Essa é uma das principais infecções transmissíveis por meio do sexo sem proteção, com registros de 200 milhões de novos casos a cada ano. É também causada por uma bactéria, chamada Neisseria gonorrhoeae. Estima-se que a incidência é maior entre jovens de 15 a 24 anos e apesar de ter efeitos semelhantes em homens e mulheres, os sintomas tendem a ser menos óbvios entre o time feminino. Cerca de 90% dos homens apresentam sintomas, sendo o principal a uretrite (inflamação da uretra, o que provoca corrimento purulento (de aspecto leitoso) e ardência ao urinar, chamada de disúria – dores para urinar.

Já entre as mulheres, apenas 50% das infectadas apresentam sintomas, como coceira, dor durante o sexo e corrimento vaginal. A bactéria afeta o colo do útero, mas os sintomas passam quase despercebidos.

Entre as complicações causadas pela gonorreia estão infecção de testículos e próstata no homens e doença inflamatória pélvica nas mulheres, que afeta o útero, ovários e trompas. Além de outras consequências sérias.

Assim como a clamídia, o tratamento também é feito por meio de antibióticos.

HPV

O HPV é uma sigla em inglês para Papilomavírus Humano, que é um vírus que infecta a pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, provocando verrugas e até câncer, dependendo do tipo de vírus.

Os sintomas são invisíveis e muitas pessoas podem conviver com o vírus durante muito tempo sem perceber. Existem mais de 100 tipos de HPV e a maioria é combatida pelo próprio organismo em um período de 24 meses. O Ministério de Saúde diz que as primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem entre, aproximadamente, dois a oito meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. Além disso, o surgimento costuma ser mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. O tratamento das verrugas na região genital consiste na destruição das lesões.

A forma mais eficaz para prevenir é tomando a vacina contra o HPV, que é distribuída gratuitamente pelo SUS. Mas vale lembrar que a vacina não é um tratamento e não combate infecções já existentes.