'Não dá para salvar todo mundo', diz Roberto Setubal, do Itaú

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

Segundo Roberto Setubal, copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, a crise do coronavírus veio como um meteoro e a retomada da atividade econômica pode levar até dois anos.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

"A crise veio como uma surpresa total, como um meteoro chegando na Terra e não tem paralelo com nada que eu vivi antes, é completamente diferente", disse o banqueiro em transmissão ao vivo do Itaú BBA, braço de investimentos do banco nesta quinta-feira (7).

Leia também

"Certamente teremos grandes empresas e atividades vencedoras e outras que irão declinar. A gente precisa aceitar esse ajuste nas novas demandas. Não dá para salvar todo mundo", afirmou o executivo.

Setubal aponta que, diferentemente das crises passadas, que tiveram origem no sistema financeiro, como as de 2008 e 1929, essa crise começou na saúde e, pelo confinamento, levou a uma "redução enorme na atividade econômica".

Ele afirmou que o Brasil precisa retomar a agenda fiscal e de reformas para impulsionar o crescimento. "Estamos em uma situação muito mais frágil que em 2008, quando a nossa economia estava bem e foi relativamente fácil lidar com a crise", declarou o executivo na live.

Na avaliação dele, o foco da ajuda às empresas, neste momento, precisa ser nas companhias de menor porte. "A pequena empresa não tem outra fonte de capital, o pequeno empresário depende do apoio do banco, do governo. As grandes empresas devem se ajustar através de mecanismos de mercado."

"Quem tem um negócio viável, mesmo com perdas durante a pandemia, vai voltar a ter um negócio viável depois. Evidente que a Bolsa está num nível muito mais baixo. Mas faz parte da vida. No capitalismo não há garantia de retorno ou estabilidade", afirmou.

Quanto ao corte de juros no Brasil, que foi a 3% ao ano na quarta (6), Setubal vê um impacto positivo na vida financeira das empresas, com maior facilidade de financiar dívidas, "mas traz problemas também, como o câmbio desvalorizado. Temos que saber ajustar a economia a esse novo patamar de câmbio". Segundo ele, será possível aumentar exportações com o real desvalorizado.

Nesta quinta, a moeda superou os R$ 5,87 durante o pregão, fechando o dia em mais uma alta histórica de 2,39% a R$ 5,84.

Com O Globo e Folhapress

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.