Não chame Nyvi Estephan de "musa"

Marcela De Mingo
Nyvi Estephan (Foto: Instagram)
Nyvi Estephan (Foto: Instagram)

Faltam poucas semanas para a estreia do Big Brother Brasil 2020, que vai ao ar a partir de 21 de janeiro deste ano, mas algumas novidades já foram anunciadas. A mais recente: a adição da gamer Nyvi Estephan como uma das repórteres do Rede BBB. E isso, infelizmente, pediu por uma problematização.

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Não por conta de Nyvi em si, que é super conhecida no mundo gamer e um nome de peso em jogos e programas de TV sobre o tema - ela tem até um quadro no Esporte Espetacular, da Globo, sobre o assunto. O enfoque, aqui, é sobre a sexualização das mulheres no ramo.

Fato é: Nyvi acabou ganhando o apelido de "musa dos gamers"- e que voltou à tona com o anúncio do BBB -, que reforça uma visão sexista do mercado e dificulta, ainda hoje, a inclusão de mulheres nesse meio.

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Você pode ter percebido, por exemplo, que a maior parte das notícias sobre Nyvi remetem ao seu passado como capa da Playboy, e às suas fotos sensuais no Instagram. De fato, a apresentadora gosta de postar cliques que explorem o seu corpo online, mas isso não significa que ela deva ser sexualizada.

Acredite se quiser, as mulheres gamers são maioria no Brasil - exatamente 52,6% do público consumidor por aqui, segundo uma pesquisa feita em 2016 pela Sioux. Porém, mesmo sendo maioria, o preconceito que enfrentam é gigantesco - e isso até mesmo desestimula essas mulheres de entrarem nesse mercado, que só cresce e, hoje, é mais rentável que os mercados do cinema e música juntos.

No ano passado, a hashtag #SouMulherESouGamer mostrou um pouco da realidade que elas enfrentam no mundo dos jogos online. De xingamentos sem qualquer justificativa ou motivo à comentários violentos e desrespeitosos (como "vou até aí te estuprar"), as gamers comentam com frequência sobre as dificuldades de fazerem streamings e de manterem os rankings alcançados ao longo das partidas.

O caso de Gabriela Catuzzo é um case. Conhecida como uma das principais influenciadoras do mercado de videogames no Brasil, ela perdeu um patrocínio, no ano passado, ao responder à um usuário no Twitter que a ofendeu. "Homem é lixo", escreveu ela. A briga viralizou e, no mesmo dia, a empresa Razer anunciou o fim da parceria com a influenciadora.

Também na rede social, os comentários ironizavam o fato de os comentários machistas serem aceitos sem problemas - a questão acontecia quando uma mulher decidia revidar as ofensas que ouvem com frequência.

Por isso, tanto ela, quanto muitas outras mulheres, preferem usar nomes masculinos e jogar com o áudio do seu microfone mutado - uma forma de se protegerem de serem identificadas como mulheres e, posteriormente, sujeitas aos assédios e comentários desnecessários.

Voltando à Nyvi, chamá-la de musa pode parecer interessante par o público masculino, que usa a imagem feminina como objeto de desejo há centenas de anos - imagem esta muito explorada pelos próprios games -, mas é um desserviço para as mulheres que tentam ganhar espaço jogando.