"Na era de Fake News, crianças devem ser educadas para ter pensamento crítico", afirma Malala Yousafzai

Melissa Santos
·5 minuto de leitura
Malala defende o pensamento crítico (Foto: Divulgação)
Malala defende o pensamento crítico (Foto: Divulgação)

Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2014 e co-fundadora da Fundação Malala, luta pelo acesso universal à educação e pelo empoderamento feminino através do ensino. Para a ativista, na era de Fake News que estamos vivendo é de extrema importância desenvolver o pensamento crítico.

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"Vemos várias informações nas redes sociais e é difícil escolher o que está certo ou errado. Nesse momento o pensamento crítico é essencial. Por isso, precisamos dar educação e preparar as crianças para o futuro. Elas devem ser pensadoras críticas e ter a capacidade de digerir as informações que recebem", afirmou Malala no encerramento da Expert XP 2020.

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Uma das preocupações da vencedora do Prêmio Nobel da Paz é de que a pandemia afaste ainda mais as meninas da escola. Segundo um estudo realizado pelo Malala Fund, milhões de meninas devem abandonar os estudos por conta do coronavírus. “Por vários motivos, como gravidez na adolescência ou falta de apoio financeiro na família. Precisamos focar nessas meninas e dar possibilidades para que elas voltem a estudar”, destaca.

Segundo Malala, os ativistas envolvidos na área da Educação se dedicam muito ao tema e não desistem, mesmo frente à desafios como a pandemia da COVID-19. “Em alguns países, por exemplo, os educadores estão usando as redes de televisão nacional com uma programação para manter as crianças engajadas e aprendendo durante esse período, além também de programas de rádio e aplicativos. Temos que encontrar novas formas para que os jovens continuem aprendendo mesmo durante o isolamento”, afirma.

Barreiras para a educação no mundo

Segundo Malala há uma série de barreiras para a educação no mundo, desde falta de investimento, normas sociais e culturais e falta de infraestrutura. Sendo assim, a ativista faz um apelo para que os países, como o Brasil, retomem os investimentos na área.

“Os países precisam aumentar os gastos com educação, principalmente ensino primário e fundamental. Nem sempre há investimento suficiente nessa etapa. (...) O coronavírus trouxe oportunidade de mudanças e o mundo está pronto para mudar. Oportunidade para dar um passo para trás, dar uma pausa e ver o que precisa ser mudado. Temos que tomar decisões mais robustas. Temos uma oportunidade de mudar o nosso foco para as coisas mais importantes”, fala.

Empoderamento feminino

Para Malala, a educação tem papel fundamental para empoderar e emancipar mulheres, já que ela nos conscientiza sobre nossos direitos, igualdades e oportunidades.

“Temos que divulgar a mensagem que as mulheres podem fazer o que quiserem. Elas podem ser engenheiras, pilotas, líderes e tem direitos iguais assim como os homens. Muitas mulheres não conseguem se projetar porque tem desconhecimento e medo da sociedade, mas encontram sua voz por meio da educação”, diz.

Prova disso ela dá como como exemplo a história de sua própria mãe, que saiu da escola aos seis anos de idade. “Sem educação, minha mãe não conseguia agendar um médico, ler ou viajar, pois não se comunicava direito. Ela agora está aprendendo inglês e pode ir ao médico sozinha, trocar e-mails, fazer as coisas por conta própria”, diz.

Importância de encontrar a própria voz

Desde os 11 anos, Malala começou a falar ao mundo sobre os problemas no Vale do Swat e as tentativas do governo Talibã de impedir que as meninas estudassem. E, mesmo sendo jovem, entendeu que sua voz deveria ser ouvida.

“A melhor lição que eu aprendi na minha jornada é que é muito importante fazer sua parte. Às vezes você acha que apenas uma voz não vai produzir qualquer mudança. Mas se pensarmos assim, nada vai mudar. Me dei conta que todo mundo pode desempenhar o seu papel. Nós podemos ter um blog, escrever, protestar, tudo isso pode, sim, fazer parte da mudança. Você tem que confiar na sua voz e essa é a missão que eu quero espalhar para todo o mundo”, diz.

Mas Malala reconhece que nada disso seria possível se não tivesse o apoio da sua família, principalmente de seu pai, Ziauddin Yousafzai, um grande entusiasta da educação e que acreditava que a filha merecia as mesmas oportunidades que estavam disponíveis aos homens.

“Fui criado numa sociedade muito patriarcal, cresci com cinco irmãs e nenhuma pôde ir à escola. Meus pais só queriam que elas se casassem o mais rápido possível. Eu estava ciente no efeito de que a educação tinha tido em mim e foi por essa razão que eu acreditava que a educação era a arma mais poderosa que poderia mudar o mundo. Foi por isso que comecei uma escola para meninas no Paquistão: para instruir e empoderar todas as meninas da nossa comunidade, inclusive Malala”, afirma o pai da ativista que também participou do painel.

O co-fundador da Fundação Malala acredita que os pais têm um papel crucial para ensinar aos filhos sobre a importância da igualdade e da educação. “O pai pode determinar a vida dos seus filhos. Eles aprendem pelo exemplo, portanto, se você trata a sua mulher com respeito e dignidade, eles vão entender que todos os seres humanos são iguais”, diz.

Por fim, Ziauddin reconhece que Malala sempre teve uma personalidade forte e com pensamento crítico e faz um apelo aos pais: “Não me perguntem o que eu fiz e sim o que não fiz. Eu não cortei as asas dela, deixei ela voar. Essa é a mensagem que eu queria deixar para todos os pais de todo o mundo: não cortem as assas das suas filhas, deixem que elas voem e ninguém vai impedi-las de seguir adiante”, diz.