Na corrida pelo Oscar, 'Me Chame Pelo Seu Nome' mostra romance entre garoto e homem mais velho

(Imagem: divulgação Sony)

Uma história de amor intensa não precisa necessariamente vir acompanhada de declarações inflamadas, momentos grandiosos debaixo de chuva ou outros clichês do gênero. Em ‘Me Chame Pelo Seu Nome’, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros, o diretor italiano Luca Guadagnino opta pelo caminho de uma intimidade quase silenciosa e furtiva, mas não menos potente.

A aproximação entre os protagonistas acontece de forma sutil, a partir de olhares, toques discretos e conversas desajeitadas, num ritmo muito particular que remete à descoberta do desejo por parte do jovem Elio (Timothee Chalamet).

À princípio envolvido com uma garota da pequena cidade no interior italiano onde costuma passar férias, ele é pego de surpresa pela chegada de Oliver (Armie Hammer), aluno de seu pai (Michael Stuhlbarg) que está ali para uma espécie de estágio temporário. Surge um interesse mútuo entre os dois, que aos poucos vai escalonando até a consumação do primeiro beijo, a primeira relação sexual, e assim por diante…

Tudo acontece de forma gradual, até o par ser indissociável, como o título sugere, mesmo que pela brevidade de um verão – registrado de forma luminosa como a mais linda das memórias pela lente do diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom.

Só em um filme assim pode-se misturar música clássica, alta literatura, esculturas e uma cena de um adolescente penetrando um pêssego e tudo isso ter a mesma carga erótica no jogo de sedução.

Com sua delicadeza ímpar, ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ está sendo cotado a concorrer a diversas categorias no próximo Oscar, cujas indicações serão conhecidas na próxima terça-feira, 23. Além de provavelmente estar entre os nomeados a melhor filme, melhor ator (Timothee Chalamet) e roteiro adaptado, seria justo se os votantes da Academia lembrassem de pelo menos uma das duas músicas belíssimas que o cantor e compositor Surfjan Stevens fez para o longa, ‘Mistery of Love’ e ‘Visions of Gideon’.

Se houvesse ainda a categoria melhor cena do ano, ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ certamente teria um punhado de potenciais candidatas. O discurso proferido pelo personagem de Michael Stuhlbarg antes da conclusão e o plano final que permanece fixo em Elio durante os créditos, por exemplo, são tão bonitos que cortam o coração.