Na CCXP, Francis Ford Coppola revela que achava que 'O Poderoso Chefão' seria um fracasso

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A remasterização da série de filmes de Francis Ford Coppola "O Poderoso Chefão" foi tema de painel neste sábado (4) na CCXP Worlds 2021. A trilogia, iniciada há 50 anos, será relançada em qualidade 4K, após processo de remasterização, nos cinemas.

O destaque foi a participação do próprio cineasta, em entrevista por videoconferência com o jornalista Marcelo Forlani. Coppola refletiu sobre o ganho de significado do filme ao longo das últimas cinco décadas, e revelou que nunca imaginou que a produção faria sucesso.

"Ninguém pensou que eu seria bem-sucedido [com 'O Poderoso Chefão'], muito menos eu", contou o diretor sobre o período de produção do primeiro capítulo da trilogia. "Os produtores me convenceram que o filme era horrível, e eu tinha certeza que seria demitido."

Para o ítalo-americano de 82 anos, as dificuldades que enfrentou ao materializar o enredo há 50 anos ainda existiram hoje. "Se eu fosse fazer um filme que fosse como eu realmente queria, hoje, seria mais difícil financiar, mas seria mais duradouro", opina. Para ele, a prova final da qualidade de uma obra é "o teste do tempo".

Ele admite, entretanto, que viu detalhes principalmente no último longa da trilogia que gostaria de alterar. Ao longo dos anos e com o lançamento de diferentes versões de "O Poderoso Chefão 3", ele acredita que conseguiu transformar a produção em algo mais parecido com o que ele e o roteirista Mario Puzo queriam.

"Sou conhecido por mudar os filmes que fiz ao longo do tempo, mas não toquei em 'O Poderoso Chefão' porque sinto que era o filme que eu queria fazer", disse, sobre os primeiros dois filmes.

Sobre a razão do sucesso duradouro da saga, ele analisa: "Ainda estamos lendo 'A Ilíada' e 'A Odisseia' [poemas épicos escritos no século 9 a.C, na Grécia] e gostando. Então claramente obras sobre temas humanos persistem por milhares de anos".

Pelo mesmo motivo, Coppola diz acreditar que o enredo poderia ser entendido pelas gerações mais jovens. "Uma criança de 14 anos poderia apreciar um drama humano como esse, mas apenas os que foram criados de uma forma que os encoraja a pensar".

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