Nélida Piñon é velada na ABL junto com cinzas de seu cachorro

RIO DE JANEIRO, RJ, 29-12-2022 -  Corpo da escritora Nélida Piñon é velado na ABL, no centro do Rio (Foto: Aléxia Sousa/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, 29-12-2022 - Corpo da escritora Nélida Piñon é velado na ABL, no centro do Rio (Foto: Aléxia Sousa/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Amigos e admiradores se despediram, na manhã desta quinta-feira (29), da escritora Nélida Piñon. Ela morreu no último dia 17, aos 85 anos, vítima de complicações de uma cirurgia na vesícula.

O velório que ocorre no salão do Petit Trianon da Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio, começou pontualmente às 10h. Junto com o corpo da escritora está as cinzas de Gravetinho, um pinscher de 11 anos que sucumbiu à pneumonia em 2018.

As cinzas do cachorro estavam guardadas no escritório da ex-presidente da ABL, e serão enterradas ao lado de Piñon, no Mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Será o primeiro cachorro a ter tamanha deferência.

Nélida Piñon morreu no dia 17 de dezembro em Lisboa, onde estava internada. O translado para o Brasil durou 11 dias. O corpo chegou ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira (28).

Um dos nomes mais conhecidos da literatura brasileira em todo o mundo, a escritora foi a quinta ocupante da Cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras, eleita em 27 de julho de 1989, na sucessão de Aurélio Buarque de Holanda, e foi recebida em 3 de maio de 1990 pelo Acadêmico Lêdo Ivo.

Em 1997, tornou-se a primeira mulher a presidir a Academia no ano do centenário da instituição. No dia 02 de março, a ABL realizará a cerimônia Sessão da Saudade em homenagem à autora em seu salão principal.

Filha única, sem filhos e sem parentes próximos, Piñon fez constar em seu testamento um imóvel para suas duas cachorras, Suzy e Pilara, após a morte de Gravetinho.

A dupla será a dona dos quatro apartamentos da autora localizados em um edifício de luxo à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul carioca.

Publicada em mais de 20 países, com traduções para inglês, espanhol, galego, francês, italiano, russo e chinês, a escritora assinou nove romances, três livros de contos e coletâneas de memórias, fragmentos e ensaios. Neste ano, doou parte de seu acervo pessoal ao Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, formando a maior biblioteca de obras galegas do Brasil.

Seu último, "Um Dia Chegarei a Sagres", foi lançado em 2020, fruto de uma longa pesquisa em Portugal, onde passava a maior parte de seu tempo.