Não quero deixá-lo triste assinando', diz Bolsonaro sobre Chico Buarque

LUCIANO TRINDADE
SÃO PAULO, SP, 12.10.2019 - PALMEIRAS-BOTAFOGO - O presidente Jair Bolsonaro acompanha partida entre Palmeiras e Botafogo, válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol 2019, realizada no estádio Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, na noite deste sábado (12). (Foto: Julio Zerbatto/MyPhoto Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro disse que não vai assinar o Prêmio Camões, o principal troféu literário da língua portuguesa, agora, pois "não quer deixar Chico Buarque triste".

Bolsonaro, que foi o estádio do Pacaembu na noite deste sábado (12) para acompanhar a partida entre Palmeiras e Botafogo pelo Campeonato Brasileiro, conversou brevemente com jornalistas no local.

Ao ser questionado se estaria repensando o caso do compositor, cantor e escritor carioca, o presidente afirmou que "ele já falou que a minha não assinatura é prêmio, então ele está premiado duas vezes". Depois, ao ser perguntado se não vai assinar de jeito algum, Bolsonaro repetiu que Chico já disse que a sua não assinatura é um prêmio e completou: "Eu não quero deixá-lo triste assinando agora".

O Prêmio Camões tem valor total de EUR 100 mil (em torno de R$ 447,3 mil), dividido entre Portugal e Brasil. A parcela da condecoração que cabia ao governo brasileiro já foi depositada em junho. O diploma, no entanto, ainda não foi assinado por Bolsonaro. A premiação foi anunciada em maio.

No mês passado, o ex-secretário especial de Cultura Henrique Pires disse à reportagem que correu o risco de ser demitido em maio, quando Chico foi anunciado como vencedor, já que ele havia escolhido os dois representantes brasileiros do júri da premiação.

Segundo ele, Terra foi convencido na época de que não havia motivação política na escolha depois de conversar diretamente com o escritor Antônio Hohlfeldt, um dos jurados brasileiros da premiação. O outro brasileiro que participou do júri foi o escritor Antonio Cícero.

Chico é crítico de Bolsonaro e apoiou a campanha do petista Fernando Haddad na eleição presidencial do ano passado. Na semana passada, o musico visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e defendeu a sua liberdade.