Museus órfãos de público criam conteúdo para quem está em casa

CLARA BALBI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os principais museus e centros culturais do país fecharam na semana passada, numa medida que busca conter a disseminação do novo coronavírus.

Enquanto essa quarentena perdura, no entanto, a maioria dessas instituições segue ativa nas redes sociais, postando dicas culturais e informações.

Várias delas ainda prepararam conteúdos especiais para o período, levando ao público informações e curiosidades sobre os seus acervos.

Confira algumas delas abaixo, além de links para exposições virtuais dos principais museus do mundo.

Masp

O museu pretende expandir o aplicativo Masp Áudios para os seus demais canais digitais. Com ele, era possível apontar para uma obra no museu e ouvir comentários de especialistas, como curadores e pesquisadores, de artistas e até de crianças. Agora, os comentários servirão de áudio para vídeos sobre as obras, a serem disponibilizados no Facebook, no Instagram e no Twitter da instituição.

Pinacoteca de São Paulo

Como parte da iniciativa #PinadeCasa, o museu tem postado a cada dia uma obra diferente do seu acervo nas redes sociais, acompanhada de dados históricos, curiosidades e explicações dos curadores.

Desde o início do projeto, em 19 de março, já passaram por lá obras de Hudinilson Jr. - cuja exposição "Hudinilson Jr.: Explícito" tinha acabado de ser inaugurada quando a Covid-19 chegou a São Paulo-, da pintora Nicota Bayeux e de Tarsila do Amaral, entre outros.

Instituto Moreira Salles Com sedes em São Paulo, no Rio de Janeiro e na cidade mineira de Poços de Caldas -todas fechadas por causa do coronavírus-, o IMS já tinha uma presença online respeitável muito antes da pandemia de Covid-19.

O instituto tem diversas plataformas virtuais que exploram seu acervo, como o recém-lançado Discografia Brasileira, que disponibiliza 46 mil arquivos de áudio de gravações em 78 RPM, ou o Correio IMS, com correspondências entre grandes escritores nacionais.

Há alguns dias, eles também publicaram no seu Instagram uma visita guiada à exposição do fotógrafo Peter Scheier, que estava em cartaz no prédio da avenida Paulista.

Instituto Tomie Ohtake

O centro cultural postou no seu Instagram uma visita guiada de "Lumina", mostra individual de Mariana Palma que estava em cartaz ali, com a própria artista.

Itaú Cultural

Mesmo com as atividades suspensas, o Itaú Cultural continua a postar vídeos, podcasts, cursos de ensino a distância em seu site e nas suas redes sociais -as últimas publicações por lá mostram imagens das exposições que estavam na sua sede paulistana, sobre o arquiteto Rino Levi e a artista Sandra Cinto.

Vale também aproveitar o tempo de sobra para explorar a Enciclopédia Itaú Cultural, uma das bases de dados mais completas sobre cultura brasileira.

Museu da Imagem do Som (MIS)

O MIS já tinha uma presença forte na internet, com um canal de YouTube recheado de preciosidades. Desde o início da quarentena, no entanto, ele vem potencializando ainda mais essa janela e disponibilizando um vídeo por dia dentro da campanha #MISemCasa.

O primeiro foi um bate-papo com o cineasta Fernando Meirelles sobre seu filme mais recente, "Dois Papas", filmado na sede do museu em fevereiro. Logo depois, veio Eva Wilma contando como ela quase participou de um filme de Alfred Hitchcock. Para esta semana, eles prometem conversas sobre a artista sérvia Marina Abramovic, a escritora Hilda Hilst e outros.

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio)

Na sua programação para a quarentena, o MAM do Rio preparou uma série de orientações sobre projetos educativos para realizar com as crianças, presas em casa. São dicas de brincadeiras educativas que vão de desenhar pipocas ("cada pipoca é diferente, você já reparou?") a explorar a casa de binóculos, sempre com ilustrações coloridas.

Museu da Imigração

O Museu da Imigração, em São Paulo, disponibilizou conteúdo gratuito durante o período em que permanecer fechado. Seu acervo digital tem cerca de 250 mil imagens sobre a história da imigração no estado de São Paulo.

Exposições virtuais

Lá fora, não são poucos os museus que dispõem de visitas guiadas virtuais por exposições atuais e passadas. Alguns deles são o Museu do Vaticano, o Louvre, e o Smithsonian, museu de história natural com filiais em Nova York e Washington.

Já o Metropolitan, também em Nova York, fez há três anos vídeos em 360º mostrando as suas dependências - eles estão disponíveis no YouTube.

Google Arts & Culture A maior plataforma de artes plásticas na internet é, no entanto, o Google Arts & Culture. O projeto reúne exposições virtuais --em que uma ou mais obras são exibidas em detalhes, acompanhadas de explicações sobre técnica e biografia do artista, entre outros--, visitas que lembram o modo de visualização a partir da rua do Google Maps, e artigos temáticos sobre movimentos artísticos e personalidades importantes.

Embora museus como o Van Gogh, em Amsterdã, e D'Orsay, em Paris, estejam a um clique de distância ali, também é possível matar a saudade dos corredores do Masp, da Pinacoteca, e até do Museu Nacional, na zona norte do Rio de Janeiro, destruído pelo fogo há dois anos.

Quem quiser aproveitar o período de quarentena para aprender mais sobre arte também pode desbravar as coleções dos mais de mil museus no serviço.