"Mundo Estranho" apresenta personagem LGBT em aventura épica

"Mundo Estranho" é a nova animação da Disney. (Foto: Divulgação/Walt Disney Animation)
"Mundo Estranho" é a nova animação da Disney. (Foto: Divulgação/Walt Disney Animation)

Pela primeira vez, a Disney coloca um personagem LGBT em destaque em suas animações. Ethan é um adolescente negro de 16 anos e está apaixonado por outro garoto, o que fica explícito desde as primeiras cenas de "Mundo Estranho", novo filme da Disney que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24).

Em uma história que reúne três gerações da família Clade, a Disney aborda com naturalidade e sutileza emocionante a sexualidade de Ethan. O adolescente se sente seguro e confiante em todos os momentos em que fala abertamente sobre sua paixão por outro garoto da escola com os pais e também com o avô. Isso é algo sem precedentes no estúdio, já que a animação estreou meses após a empresa ser acusada por funcionários de censurar narrativas de personagens queers das animações e só ter mostrado o primeiro beijo entre duas mulheres em “Lightyear” (2022).

Inspirada nas obras de Júlio Verne, "Mundo Estranho" é um deleite visual. A história é ambientada em Avalônia, local que passou por uma revolução industrial e tecnológica após Searcher descobrir uma planta que possui energia elétrica. Quando o Pando é contaminado e compromete o ecossistema, Ethan e seus pais embarcam em uma missão para tentar salvá-lo.

O que eles não esperavam é que a nave os levaria diretamente ao local de desenvolvimento do Pando, um mundo extraordinário e inexplorado que ninguém sequer conhecia. Como o próprio título diz, esse submundo é completamente diferente de tudo o que eles já viram antes. Tudo se movimenta, é grandioso, colorido e infinito. Um grande espetáculo audiovisual, mas que não apaga os problemas da narrativa.

O roteiro de Qui Nguyen acaba sendo o grande ponto fraco do filme. Os tripulantes que também embarcaram na jornada são totalmente esquecidos e grande parte das cenas mostram somente as discussões entre pais e filhos, esquecendo o propósito da missão. Com isso, a história perde o foco e apressa o final, deixando pontos importantes sem explicação.

Ainda assim, "Mundo Estranho" garante boas risadas, reflexões e leva, de fato, diversidade para as telas. Apesar de não ter o impacto de obras como "Encanto" (2021) e "Os Incríveis" (2004), o estúdio ousa e segue em sua caminhada (ainda lenta) para lançar histórias cada vez mais plurais.