Mulheres gastam mais com produtos de beleza que homens. Veja como economizar

Letycia Cardoso
·7 minuto de leitura

Provavelmente você já ouviu alguém dizer ou até mesmo já reproduziu o pensamento: "ah" mulheres gastam demais com beleza", "mulheres são consumistas" ou "mulher não pode ver uma loja!". Quando se trata de produtos de cuidados pessoais, as mulheres gastam mais sim, em volume e em valor — e isso nem sempre está ligado a um descontrole.

A educadora financeira e criadora do canal Finanças Femininas, Carol Sandler, diz que as mulheres sofrem uma pressão social em relação à aparência em todas as esferas de sua vida. Com base nisso, a indústria da beleza explora esse mercado, desenvolvendo produtos extremamente específicos, estimulando a compra de mais itens e, consequentemente, o gasto de mais dinheiro.

— Se o homem está com ou sem barba, ninguém debate. Mas, em algumas empresas, as mulheres têm que estar sempre maquiadas. Quando há uma reunião no dia seguinte, há chefes que avisam e cobram boa aparência — comenta Carol: — O mercado explora isso. Para a mulher, há produtos para o corpo, rosto, olheira, pálpebra. Enquanto um único produto para o homem tem inúmeras funcionalidades.

Como elas ganham salários menores que os homens, acabam tendo menos dinheiro disponível para consumir outras coisas ou, até mesmo, investir.

— Só em meados dos anos 60, que a mulher recebeu o direito e a responsalidade de ganhar seu dinheiro e cuidar dele. Antes, ela era consumidora, porque ficava em casa cuidando dos filhos e dependia da renda do marido. A herança desse papel da mulher é o que impacta a nossa relação com o consumo até hoje! — defende Carol Sandler.

Além da necessidade de consumir mais produtos de beleza, eles ainda são mais caros. Esse fenômeno é chamado de Pink Tax, ou seja, taxa rosa, que recai sobre mercadorias femininas. A professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, explica que se trata de uma forma de aumentar preços de maneira indireta ou velada, com efeito semelhante ao de uma tributação.

— Esse sobrepreço, que chega a 10%, não tem justificativa clara, nem relação com a qualidade do produto. Um exemplo clássico são os aparelhos de barbear, do mesmo fabricante, com a mesma finalidade, mas um é azul e o outro é rosa. E o que é para mulheres... é bem mais caro! — conta Juliana: — Então, elas pagam mais pelo produto, consomem em maior quantidade e ainda têm uma renda relativa menor. Proporcionalmente, elas pagam muito mais!

Por isso, o recomendado é, antes de comprar, olhar para a utilidade do produto, além de avaliar se a compra está sendo feita por necessidade ou pelo hábito de se direcionar a produtos destinados ao público feminino. A professora de economia do Ibmec RJ, Vivian Almeida, ainda chama atenção para o alto valor gasto com serviços estéticos.

— A frequência com que a mulher vai ao salão, fazer unha, sobrancelha, buço, cortar cabelo, é alta e pode gerar um gasto que varia entre R$ 100 e R$ 600. Com a pandemia, pudemos descobrir que não precisamos de tudo isso... até os homens passaram a cortar cabelo em casa. Mas, não é preciso abandonar o serviço totalmente. Ao aumentar a periodicidade, já é possível economizar! — sugere a professora.

Integrante do time de "caçadores de ofertas" do "Qual oferta" — plataforma dos jornais EXTRA, O Globo e Expresso que reúne, no impresso e no digital, as melhores promoções de supermercados, drogarias e lojas de departamento de Rio e Grande Rio, Vivian Marcelle, tem outra estratégia. Por ter uma filha de 15 anos, ela conta que os gastos desse tipo em sua casa são dobrados. Então, para reduzir despesas, recorre a atendimentos em escolas de profissionais.

— No Instituto Embeleze, o corte do cabelo é R$ 2, um valor simbólico. E sempre há um profissional orientando o estudante, o que garante que sempre seremos bem atendidas — afirma.

Momentos de crise econômica também podem ocasionar um aumento dos gastos com produtos de perfumaria, higiene pessoal e maquiagens. A professora do Ibmec RJ, Vivian Almeida, explica que esse é o chamado "Efeito Batom".

— Ele ficou conhecido na segunda guerra, quando perceberam que houve um aumento na procura por batons no período, já que eles eram um sinônimo de autocuidado. Em momentos de crise, os produtos de beleza tendem a ser mais requisitados seja pela busca da autoestima ou pela necessidade de estar mais arrumado para procurar um emprego — conta Vivian: — Então, para fugir dos altos preços dessa época, busque substitutos mais baratos e pense em que adaptações você poderia fazer.

A especialista comportamental Carol Mançur conta que adora produtos de cuidados para a pele. Como esses itens, em geral, são mais custosos, fica de olho nas promoções de farmácias online, além de estabelecer uma cota mensal para esse fim:

— Eu posso gastar no máximo R$ 300 com produtos de skincare. Sempre fico de olho em promoções. Na maioria das vezes, compro pela internet e coloco a opção de retirar na loja para não pagar frete. Com o dinheiro que sobra, eu posso comprar outras coisas que desejar.

Shampoo, condicionador, maquiagens e desodorantes são produtos que, normalmente, vêm em embalagens plásticas, as quais demoram anos e anos para se decompor. Assim, o menor consumo de itens de beleza pode ser benéfico tanto para o bolso, quanto para o meio ambiente.

A loja multimarcas Use Orgânicos comercializa soluções de higiene pessoal que duram mais tempo que as convencionais e que são sustentáveis. A analista de marketing da marca Helena Botelho, de 24 anos, conta que shampoos e condicionadores em barra duram mais que os líquidos:

— O shampoo em barra possui duração média de 60 lavagens, dependendo da quantidade de cabelo e das condições de uso. O produto pode durar mais ainda dependendo das técnicas para conservação. Por exemplo, se você cortar e usar um pedaço por vez, evita que a barra derreta em contato com a água.

Helena ainda apresenta outros produtos, como um desodorante formulado com cristal de alúmen de potássio, um poderoso antibacteriano que impede a proliferação de bactérias causadoras de maus odores, que dura 12 meses e custa R$ 56,40.

— Basta passar depois do banho, com a axila molhada. Além da economia financeira, esse produto não contém álcool, corantes, perfume, nem alumínio, que faz mal para a nossa saúde — afirma.

Para substituir os absorventes descartáveis, Helena recomenda que as mulheres experimentem coletores menstruais ou calcinhas absorventes que têm duração média de três anos. Nesse período, uma mulher de 30 anos, por exemplo, com fluxo moderado, poderá economizar R$ 2.608, em média, alem de evitar que 183kg de lixo sejam despejados no ambiente.

Carol Sandler diz que, apesar de as pessoas enxergarem os gastos com maquiagens desnecessários, eles são, muitas vezes, uma necessidade para que a mulher tenha uma boa apresentação na sociedade em que vive.

— Se a mulher precisa trabalhar de maquiagem e esta sem nenhum batom, essa compra entra em gastos essenciais, junto com água, luz, aluguel. Mas, se ela já tem outros batons e vai comprar uma cor nova, esse gasto é desnecessário e deve entrar na cota de supérfluos.

Verifique se não está sendo atraída pelo produto apenas pela propaganda de ser um item especial para mulheres ou se ele tem mesmo uma utilidade diferenciada. A professora Juliana Inhasz recomenda analisar também, entre itens masculinos e femininos, se há diferença de preço e se esse preço a mais se justifica. No caso de um barbeador, por exemplo, a mulher pode comprar o masculino e ser bem atendida.

Vivian Almeida diz que, ao passar mais tempo em casa, não há tanta necessidade de estar "com a unha em dia ou sobrancelhas feitas". Dessa forma, com o home office, sem a cobrança de um visual impecável na empresa, é possível espaçar as idas ao salao de beleza para economizar.

Procure sites e lojas que ofereçam descontos, cashback e entrega grátis. Se não for possível comprar o item por um valor menor, analise se existe algum substituto que cumpra bem a função.

Você pode não perceber mas, ao comprar todo mês um desodorante aerosol que custa R$ 15, estará gastando muito mais que ao comprar um que custa R$ 60 mas que tem duração de 12 meses. O investimento pode ser alto, mas a longo prazo compensa.

Dessa forma, analise quais itens que são necessários no seu dia a dia, programe-se para não deixar faltar e, dessa forma, economizar.