Mulheres estão mais propensas à depressão pós-parto durante a pandemia

Vida e Estilo International
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A crise do coronavírus está afetando a saúde mental das novas mamães? (Getty Images)
A crise do coronavírus está afetando a saúde mental das novas mamães? (Getty Images)

As mães têm muito mais chances de sofrer de depressão pós-parto em meio à pandemia de coronavírus, sugere um novo estudo. Pesquisadores revelaram que o número de mulheres que sofrem da doença aumentou, sendo que até três em cada quatro mulheres grávidas ou aquelas que deram à luz recentemente sofreram de ansiedade durante a pandemia. Isso se compara a menos de uma em cada três sofrendo por antecipação.

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E mais de quatro em cada 10 (41%) sofreram de depressão, quase o triplo da taxa pré-pandêmica de 15%. Publicado na revista Frontiers in Global Women's Health, o estudo descobriu que a pandemia de coronavírus agravou essas dificuldades, já que a probabilidade de depressão e ansiedade materna "aumentou substancialmente" durante a crise de saúde global.

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"As medidas de isolamento social e físico, tão necessárias para reduzir a propagação do vírus, estão afetando a saúde física e mental de muitos de nós", explica a coautora do estudo, Dra. Margie Davenport, da Universidade de Alberta, no Canadá. "Sabemos que experimentar depressão e ansiedade durante a gravidez e no período pós-parto pode ter efeitos prejudiciais à saúde mental e física da mãe e do bebê, que podem persistir por anos".

Novas mães têm 'muito mais chances de sofrer de depressão pós-parto em meio à pandemia do coronavírus' (Getty Images)
Novas mães têm 'muito mais chances de sofrer de depressão pós-parto em meio à pandemia do coronavírus' (Getty Images)

Davenport diz que os efeitos podem incluir um parto prematuro, redução da ligação mãe-bebê e atrasos no desenvolvimento da criança.

O estudo entrevistou 900 mulheres, das quais 520 estão grávidas e 380 deram à luz nos últimos 12 meses, e as questionou sobre os sintomas de depressão e ansiedade antes e durante a pandemia. Antes do início da pandemia, 29% das mulheres apresentaram sintomas de ansiedade moderada a alta e 15% apresentaram sintomas depressivos.

No entanto, durante a pandemia, esses números aumentaram, com quase três em cada quatro (72%) experimentando ansiedade, enquanto 41% sofreu com sintomas de depressão.

Annie Belasco, da PANDAS Foundation, do Reino Unido, diz que, embora o COVID-19 e a quarentena não "causem" a depressão pós-parto, as circunstâncias e o estresse em torno disso certamente podem contribuir: desafios de relacionamento, preocupações financeiras e não ter um tempo ou uma folga dos afazeres podem induzir e também criar depressão e agravamento de sintomas e sinais de depressão pós-parto.

"Sabemos que os pais que têm um diagnóstico são particularmente vulneráveis ​​durante esse período, já que seus 'mecanismos normais de defesa’ não conseguem funcionar normalmente no dia-a-dia", explica ela.

"A perturbação da rotina, a ansiedade em torno do estado político e econômico também contribuíram para os pais, com ou sem um diagnóstico de doença mental perinatal, a desenvolver ansiedade e sentir maior estresse, agravando assim a depressão e o mau humor", acrescenta.

Quais são os sinais da depressão pós-parto?

Segundo Wendy Powell, especialista em saúde materna e fundadora do MUTU System, os sinais de depressão pós-parto podem variar desde pouca disposição, ansiedade, irritabilidade e mudanças nos padrões de sono ou alimentação.

A Fundação PANDAS diz que os sintomas da depressão pós-parto podem incluir, mas não rigorosamente:

  • Dificuldade para se relacionar com o bebê;

  • Sentimentos de inutilidade e falta de autoestima;

  • Sentimentos persistentes de ansiedade e humor muito baixo;

  • Necessidade de se isolar e não socializar;

  • Pensamentos negativos e assustadores frequentes;

  • Falta de apetite ou aumento deste.

As mães estão sofrendo de depressão e ansiedade durante a crise do coronavírus. (Getty Images)
As mães estão sofrendo de depressão e ansiedade durante a crise do coronavírus. (Getty Images)

O que os novos pais podem fazer para proteger sua saúde mental durante a crise do coronavírus?

Crie limites saudáveis

"Somos muito dependentes das redes sociais e é importante controlar o que você está assistindo", explica Belasco. "Sites de redes social que são positivos, motivacionais e gratuitos, são aconselháveis para qualquer pessoa que esteja sofrendo de doença mental perinatal, com um risco de desenvolver ansiedade e depressão".

Estabeleça uma nova rotina

Para você e para o seu bebê. Belasco diz que é importante garantir uma lista de objetivos que pode checar ao longo do dia, sem colocar muita pressão em si mesma para "se manter na lista" ou concluir tudo.

Encontre uma rede de suporte

Segundo Powell, algo que pode realmente ajudar é cercar-se de uma rede de suporte confiável. "Isso pode ajudá-la a sentir como se tivesse alguém que sempre lhe ouvirá sem julgar, lhe dará uma orientação confiável e se interessará por você", explica ela.

"É muito importante que você organize discussões frequentes com colegas e mulheres com os mesmos interesses, que sabem exatamente como você se sente, mesmo que seja virtualmente, para manter uma discussão regular".

Permaneça conectado

Powell sugere que novas mães devem tentar se conectar com as pessoas mais próximas, como os avós da criança e os amigos mais próximos. “Você pode organizar chamadas semanais/quinzenais em um determinado horário ou criar um grupo do WhatsApp para fazer atualizações regulares e mostrar fotos do seu recém-nascido para um pequeno grupo de amigos e familiares”, diz ela. "Acima de tudo, é importante garantir que você esteja sempre falando sobre seu bem-estar e sempre mantenha tudo em aberto".

Pratique o autocuidado

Essa é uma mudança pequena, mas significativa, que pode ser implementada facilmente. “Lembre-se de se cuidar durante o dia todo e, sempre que possível, separe um tempo para fazer algo que faça você se sentir bem”, aconselha Belasco. “Uma comida boa, um banho, relaxar, escrever e ler podem ser pequenas coisas, mas elas fazem uma enorme diferença para o seu bem-estar”.

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