Mulheres e política combinam? Série especial debate questão

Mulheres ainda lutam por mais espaço dentro da política. Foto: Reprodução/TSE

Mulheres e política. Para muitas pessoas, essa combinação não faz sentido. Muitos acham que é algo biológico para o sexo feminino cuidar da casa e do ambiente privado e que a parte pública da sociedade deveria ficar aos cuidados do sexo masculino.

Com o tempo, esse cenário está mudando e as mulheres estão provando que elas podem e merecem estar em todos os espaços, inclusive, nos espaços de poder. Porém, ainda existe uma resistência visível e invisível da sociedade quando uma mulher ousa quebrar essa barreira.

Para mudar essa situação e fazer do ambiente público cada vez mais diverso e, assim, mais justo para todos, é preciso entender de onde vem essa resistência à presença da mulher no ambiente político.

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Segundo Rosana Schwartz, professora de Cultura Brasileira da Universidade Presbiteriana Mackenzie, essa ideia de que a mulher era menos apta para o ambiente político começou no final do século XIX. Na época, as mulheres estavam lutando por mais espaço e queriam participar da política institucional.

Os homens, por sua vez, não queriam que esse espaço de poder ficasse também nas mãos das mulheres. Eles queriam perpetuar aquele ambiente como exclusivo. Por conta disso, foram criadas várias teorias aparentemente científicas para tentar provar que as mulheres não tinham a capacidade física e mental para participar da política.

“Existe uma luta das mulheres para a desconstrução de discursos médicos que diziam que a mulher era inferior ao homem. Eles mediam a caixa craniana e falavam que, se a caixa craniana era menor, tinha menos massa cinzenta e, por isso, as mulheres eram menos inteligentes”, diz a professora.

Porém, ela explica que os homens faziam uma comparação sempre desigual, com homens extremamente grandes e fortes e mulheres pequenas e frágeis, para poder comprovar essa ideia.

“Eles alegavam que, por serem menos inteligentes, mulheres eram emocionais e questões burocráticas seriam difíceis para elas”, afirma dizendo que esses discursos criados por médicos homens eram até questionados pelas cientistas da época. Porém, a opinião delas não era importante para eles.

Esse tipo de atitude e ideia foi se perpetuando, conforme o passar dos anos, e foram tão repetidas que estão enraizadas no modo de pensar da sociedade sobre mulheres na política.

De acordo com a professora, as feministas que participavam das lutas pelo voto em 1920 pensavam que, se existisse o direito ao voto para mulheres, grande parte das assimetrias entre homens e mulheres já seriam solucionadas.

No Brasil, essa conquista veio em 1932. “É uma vitória que acontece por causa das mobilizações das mulheres. Elas lutaram muito para que conquistassem o direito”, afirma a professora lembrando que essas mulheres eram brancas, de classe social privilegiada e que tiveram oportunidade de estudar.

Por isso, a professora diz que é preciso entender que já existiam diferenças entre mulheres também. Sendo assim, as mulheres negras ainda levaram mais tempo para se inserirem na política institucional.

Após essa primeira conquista das mulheres, a professora diz que o movimento feminista foi exigindo cada vez mais direitos. A partir daí, vieram discussões sobre assédio, o direito a decidir sobre o próprio corpo e até sobre questões ambientais.

Porém, ela explica que essas discussões fundamentais, mas mais amplas, só podem ser discutidas quando superarmos a primeira exigência das mulheres dos anos 20: o direito a participar da política.

Como muitas pessoas ainda não acreditam que esse espaço também é das mulheres, fica muito difícil de avançarmos em pautas tão importantes para toda a sociedade. Pensando nisso, o blog começa, nesta segunda-feira (5) uma série de matérias sobre o tema.

Durante duas semanas, iremos falar sobre lutas históricas, mulheres que marcaram essa época e também vamos entrevistar parlamentares que conseguiram furar essa bolha, mas ainda enfrentam desafios diários para mostrar que o lugar da mulher é onde ela quiser.