"Mulheres Apaixonadas”: O Brasil está preparado para essa reprise?

Guilherme Machado
·4 minuto de leitura
Erik Marmo e Carolina Dieckmann em Mulheres Apaixonadas (Foto: Reprodução/Instagram/TV Globo)
Erik Marmo e Carolina Dieckmann em Mulheres Apaixonadas (Foto: Reprodução/Instagram/TV Globo)

No dia 24 deste mês, o Canal Viva irá começar uma reprise de “Mulheres Apaixonadas”, um dos grandes sucessos do autor Manoel Carlos. A trama fez tanto barulho que impactou até mesmo o debate público sobre causas sociais na época de sua exibição.

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A novela ficou, em especial, conhecida pelos muitos temas complexos e polêmicos que abordou e a levou a ser capa da revista ‘Veja’ na época. Talvez, justamente por isso, valha perguntar: será que o Brasil, em seu estado atual, está preparado para essa reprise?

Vamos relembrar alguns dos muitos temas da novela e discutir um pouco como alguns ainda são muito importantes, enquanto outros não envelheceram tão bem:

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Violência contra idosos

A personagem de Regiane Alves batia nos avós em Mulheres Apaixonadas. Foto: Divulgação/Globo
A personagem de Regiane Alves batia nos avós em Mulheres Apaixonadas. Foto: Divulgação/Globo

Uma das histórias mais reconhecíveis de “Mulheres Apaixonadas” é a de Dóris (Regiane Alves), que maltratava seus avós. A trama levou o Congresso Nacional a debater novas legislações a respeito dos direitos dos idosos, tamanha foi sua repercussão. Com a volta do tema, pode ser que novas discussões sejam levantadas, e até algumas que foram esquecidas sejam relembradas. Mas talvez o público fique desconfortável em ver aquela personagem maltratando aqueles avós de novo -- e Regiane tenha que lidar com os espectadores a xingando nas redes.

Mulheres que amam demais

Giulia Gam em Mulheres apaixonadas. Foto: Divulgação/Globo
Giulia Gam em Mulheres apaixonadas. Foto: Divulgação/Globo

Giulia Gam interpretou uma das personagens mais marcantes de sua carreira em “Mulheres Apaixonadas”. Como Heloísa, ela teve muitas oportunidades de mostrar suas facetas viscerais. Entretanto, a história da personagem não é uma das que envelheceu melhor: ela era uma mulher completamente apaixonada por seu marido, Sérgio (Marcello Antony), de forma obsessiva, e cometeu absurdos para ficar com eles.

Ao mesmo tempo que a novela teve uma louvável atitude em mostrar o drama da personagem e em colocar luz sobre o Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), o comportamento muitas vezes machista e cruel de Sérgio foi perdoado e em certos casos até “justificado” pelas atitudes de sua mulher, algo que, nos dias de hoje, e com as discussões sobre o feminismo bem mais avançadas, não deve ser visto com bons olhos por pelo menos uma parte dos espectadores.

Violência contra as mulheres

Foto: Divulgação/Globo
Foto: Divulgação/Globo

Talvez o núcleo mais comentado até hoje sobre “Mulheres Apaixonadas” seja o protagonizado por Helena Ranaldi e Dan Stulbach, onde a atriz vivia Raquel, uma professora que tentava fugir do relacionamento abusivo com seu marido, Marcos, que a espancava. A história chocou o público por conta das cenas violentas em que Marcos batia em Raquel com uma raquete de tênis, mas fez um importantíssimo alerta contra a violência doméstica no Brasil.

Na época, até o então presidente Lula percebeu o sucesso da trama, e disse que as mulheres brasileiras precisavam se levantar contra “os raqueteiros”. Infelizmente, a violência doméstica ainda é muito presente na sociedade, e talvez, com o retorno da novela, este assunto possa, novamente, ganhar a atenção da mídia, levantando novas discussões.

Romance entre duas meninas

O romance entre as personagens Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes) também mobilizou o público e teve um papel muito importante em mostrar o preconceito sofrido por duas adolescentes que só queriam estar juntas porque se amavam. Entretanto, em uma pesquisa encomendada pela Globo, foi constatado que o público rejeitava a ideia de que as duas tivesses cenas se beijando.

As duas trocaram carinhos, mas nunca se beijaram na novela, o que por si só mostra que a dramaturgia já avançou um pouco nessas abordagens. Por outro lado, no atual momento, a representatividade LGBTQ+ se faz ainda mais importante e a trama permite um ponto de reflexão de como as questões mudaram de uns anos pra cá. E, no final, o autor conseguiu fazer com que as duas dessem um selinho em uma encenação de Romeu e Julieta feita dentro da novela. Então, no fim, o amor prevalece.