Mulher com um raro distúrbio: 'alergia ao inverno'

Imagem cortesia de Arriana Kent.

Escrito por Elizabeth Di Filippo.

Uma jovem canadense tem estrelado as manchetes devido a um transtorno autoimune incrivelmente raro que a torna “alergia ao inverno”.

Arianna Kent tinha 14 anos quando sentiu sua pele formar bolhas avermelhadas e desenvolveu problemas para respirar, pela primeira vez, ao limpar a neve em sua casa, na sua cidade natal Edmonton, Alta, onde as temperaturas podem cair até 40°C negativos.

Inicialmente, ela acreditou que a reação fosse uma alergia alimentar, mas anos de pesquisa finalmente a levou às respostas que estava procurando: Urticária induzida pelo frio.

Uma doença autoimune rara, a urticária induzida pelo frio é um distúrbio da pele reativo crônico, que ocorre quando a pessoa está exposta a temperaturas mais baixas. Para Arianna, as atividades cotidianas normais, como segurar uma lata de refrigerante ou andar até o carro em um dia frio, fazem com que a jovem, que agora está com 21 anos, comece a sentir a pele se transformar em bolhas dolorosas.

Imagem cortesia de Arianna Kent.  

“É um processo lento, que começa com pequenas bolhas do tamanho de um alfinete no meu braço, e vão aumentando até ficarem salientes”, explica ela. “Quando ataca muito, todo o meu corpo parece um vergão, todo inchado. Faz com que minha pele queime e coce. Minha garganta reage como seu eu estivesse com asma, quando ficamos ofegantes e com dificuldade para respirar … É como se algo estivesse no seu peito fazendo-o ficar mais apertado e pesado. ”

As reações de Arianna às vezes são tão graves que ela já foi hospitalizada três vezes em um mês. “Eu posso entrar em choque anafilático, então tenho que carregar uma adrenalina auto injetável comigo”, ela revela. “É aterrorizante saber que, se estiver em uma área sem acesso à ajuda médica e minha garganta se fechar, posso correr um sério risco”.

Embora algumas pessoas que sofrem de urticária ao frio consigam tratar suas reações com anti-histamínicos, Arianna afirma que tomar qualquer medicação antialérgica piora seus sintomas. Na maioria das vezes, limitar a ingestão de histamina na comida que come, usar roupas quentes e manter um aquecedor em seu escritório ajuda a minimizar o risco de um surto.

“É uma alergia muito estranha e rara, por isso frequentemente as pessoas acham que é uma piada”, diz ela. “As pessoas geralmente não acreditam em mim ou não sabem que é uma verdadeira alergia. Eles dizem: ‘Sim, Arianna, sabemos que você está sempre com frio, mas isso não significa que você é alérgica a isso’.”

Um grupo de apoio on-line ajudou a conectar Arianna a outras pessoas que vivem com a mesma condição rara, em um espaço onde elas compartilham dicas sobre o que as ajudou a reduzir o número de reações alérgicas.

Imagem cortesia de Arianna Kent.  

No inverno ou no verão, Arianna diz que sua alergia é um fator que pesa em tudo que faz. Se ela vivesse em Edmonton ou em um clima mais quente, sua alergia ainda a afetaria.

“Mesmo em um clima de 30°c, uma brisa fresca pode atacar a alergia, ou mesmo pular em uma piscina pode desencadear a reação”, diz a jovem. “O ar condicionado é terrível e um veneno para mim também. Até segurar uma bebida gelada nas mãos, se eu quiser gelo, vou sentir meus dedos inchados depois. Consigo sentir a reação na minha garganta se eu estiver bebendo algo gelado. Minha garganta começa a ficar apertada. É a mesma reação, se eu tomar um sorvete. Eu posso evitar nadar numa piscina fria ou evitar beber algo gelado, mas você nunca sabe quando vai começar a chover ou ficar frio lá fora. Isso não está no meu controle.”