Mulher com dois úteros dá à luz menino saudável

Vida e Estilo International
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Louise Campbell deu à luz um menino após sofrer de uma condição conhecida como útero didelfo. (Louise Campbell/SWNS)
Louise Campbell deu à luz um menino após sofrer de uma condição conhecida como útero didelfo. (Louise Campbell/SWNS)

Uma mulher que sofreu com problemas de infertilidade por ter dois úteros finalmente deu à luz seu primeiro filho.

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Louise Campbell, de 28 anos, sempre sonhou em ser mãe. Ela e o marido Nick, de 37 anos, começaram as tentativas para engravidar um ano depois do início do namoro.

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Depois de sofrer três abortos espontâneos, ela finalmente foi diagnosticada com útero didelfo – uma condição de saúde rara caracterizada pela presença de dois úteros e dois colos do útero. Após o diagnóstico, Louise ainda sofreu mais um aborto, mas dois anos e meio depois finalmente engravidou.

O casal mal pôde conter a alegria, e deu as boas-vindas ao filho, Michael, em fevereiro de 2018. “O fato de finalmente termos Michael conosco é bom demais para ser verdade,” disse Louise, profissional de saúde que mora em Driffield, East Yorkshire, na Inglaterra.

“Eu amo ser mãe. Estou onde deveria estar e finalmente me sinto como eu mesma, depois de todo o estresse de ter que lidar com o útero didelfo”.

Louise Campbell enquanto estava grávida de Michael. (Louise Campbell/SWNS)
Louise Campbell enquanto estava grávida de Michael. (Louise Campbell/SWNS)

A mãe de primeira viagem descobriu que tinha esta rara condição de saúde ao fazer uma laparoscopia investigativa após seus três primeiros abortos.

Sua ginecologista fez um alerta e explicou que o útero didelfo aumenta o risco de aborto tardio e parto prematuro.

“Aquilo foi um choque e relutei em aceitar o fato de que eu tinha essa condição, sobre a qual nunca havia ouvido falar, e de que ela poderia me impedir de ser mãe,” disse Louise.

Após sofrer outro aborto em 2015, a ginecologista recomendou que o casal tentasse fazer uma fertilização in vitro, mas um mês antes da primeira consulta com o especialista em FIV, eles descobriram que ela havia engravidado naturalmente.

Na primeira ultrassonografia, o casal ficou emocionado ao ver seu bebê saudável na tela.

Louise disse: “Eu tive um sangramento bem leve uma semana antes da ultrassonografia, e achei que aquele era o fim da linha outra vez”.

“Quando fomos fazer o exame, eu não esperava ouvir os batimentos cardíacos, mas lá estavam eles. Eu me apaixonei imediatamente e queria fazer todo o possível para protegê-lo”.

Louise foi frequentemente monitorada durante toda a gestação. Ela tomou anticoagulantes e fez um total de 11 ultrassonografias.

Três semanas antes da data provável do parto, os médicos identificaram que o bebê estava sentado, algo comum em casos de útero didelfo devido à falta de espaço no útero.

Louise passou por uma cesárea e seu filho nasceu no dia 15 de fevereiro de 2018. O casal escolheu o nome Michael em homenagem ao pai de Nick.

“Quando eles tiraram Michael de dentro de mim, ele não chorou imediatamente e eu fiquei morrendo de medo. Pensei que havia algo errado,” disse ela.

“Foram apenas alguns segundos, mas para mim foi como se uma vida inteira tivesse passado antes que ele desse aquele primeiro grito forte e alto. Foi o som mais incrível que eu já ouvi, foi um alívio enorme”.

“Fiquei muito emocionada e feliz por finalmente ter o nosso pequeno bebê e pela nossa família estar completa”.

Pouco mais de dois anos depois, Louise está adorando ser mãe e tem o objetivo de aumentar a conscientização em relação ao útero didelfo.

“Eu tinha dificuldade para falar sobre a minha condição antes porque sentia que só eu era diferente, mas agora estou mais aberta e quero que outras mulheres saibam que é possível ter um bebê mesmo com esse problema,” disse ela.

“Eu não sabia nada sobre o útero didelfo antes do meu diagnóstico, e acho que se tivesse conversado com alguém que teve uma experiência parecida com a minha, teria me ajudado”.

Louise Campbell ficou extasiada ao dar à luz o filho Michael após sofrer com problemas de infertilidade relacionados ao útero didelfo. (Louise Campbell/SWNS)
Louise Campbell ficou extasiada ao dar à luz o filho Michael após sofrer com problemas de infertilidade relacionados ao útero didelfo. (Louise Campbell/SWNS)

O que é o útero didelfo?

Em termos simples, o útero didelfo envolve nascer com dois úteros, dois colos do útero e, em alguns casos, duas vaginas.

“O útero didelfo é uma condição de saúde rara, que afeta aproximadamente uma em cada 3 mil mulheres,” diz a Dra. Simran Deo, do Zava UK.

O útero didelfo geralmente só é diagnosticado na vida adulta, mas é formado durante a gestação, quando o útero e o colo do útero do feto do sexo feminino estão se formando.

“O útero se forma na gestação por meio da fusão de dois tubos (os ductos de Müller),” diz o Dr. Nick Raine-Fenning, porta-voz do RCOG, Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido.

“A parede entre os tubos se quebra na sua parte inferior, deixando um útero e um colo do útero, enquanto as partes superiores se mantêm separadas e formam as duas trompas de Falópio”.

“O processo pode dar errado a qualquer momento, deixando dois tubos completamente separados e, portanto, dois úteros e dois colos do útero (conhecido como útero didelfo ou útero duplo) em um extremo, ou um útero separado por uma parede muscular (útero septado)”.

De acordo com a Dra. Deo, o útero didelfo pode ocorrer sem apresentar sinais óbvios, o que significa que geralmente ele só é descoberto durante um exame pélvico ou similar.

“As mulheres com útero didelfo não costumam apresentar sintomas, o que dificulta o diagnóstico,” diz a Dra. Deo.

“Esta condição geralmente só é descoberta durante um exame pélvico, ou após a realização de exames específicos para investigar a ocorrência de abortos de repetição”.

“Mulheres que notam que o uso de absorventes internos não previne o fluxo de sangue durante a menstruação devem conversar com um médico, já que isso pode ocorrer quando o sangue menstrual está vindo de uma segunda vagina. Esta condição também é mais comum em mulheres que nascem com um único rim, o que pode motivar a realização de exames para identificar o útero didelfo”.

O útero didelfo não necessariamente causa problemas menstruais, mas está associado à infertilidade, abortos espontâneos e parto prematuro.

Se você suspeita de que pode ter esta condição, é importante conversar com o seu médico para confirmar o diagnóstico e obter orientações, especialmente se estiver planejando ter um bebê.

“Embora algumas mulheres consigam engravidar e ter filhos sem apresentar complicações, isso pode ser mais difícil em casos de útero didelfo,” acrescenta a Dra. Deo.

“Se você foi diagnosticada com útero didelfo e está planejando ter um bebê, é importante discutir as suas opções com o seu médico antes de tentar engravidar”.

A boa notícia é que, apesar do risco elevado, é possível que algumas mulheres com esta condição tenham gestações saudáveis, como Louise.

“Muitas mulheres com esta condição podem ter bebês saudáveis, só demanda um pouco mais de planejamento e precaução,” acrescenta a Dra. Deo.

Marie Claire Dorking