Muito ou pouco, o importante é começar a investir

É possível comprar ativos financeiros com pouco dinheiro (Getty Images)

Hoje,vou tocar num assunto que ainda me incomoda no mundo dos investimentos, principalmente quando falamos em bolsa de valores. Felizmente, o número de investidores vem crescendo a cada dia. Mas ainda vejo que há um componente psicológico que impede muitas pessoas de darem o primeiro passo nessa jornada tão importante, que é a da independência financeira. Eu já percorri os 800 quilômetros do Caminho de Santiago da Compostela e posso garantir: o primeiro passo da jornada é sempre o mais difícil. Por isso, quero mostrar como é possível dar esse primeiro passo, mesmo que você tenha pouco dinheiro na conta.

É certo que vivemos em um país de custo de vida elevado e com uma forte cultura de endividamento. Mas existe um mito, que já passou da hora de ser combatido, de que é preciso ser rico ou ter muito dinheiro para começar a investir. Presos a esse “pensamento limitante”, tem muitas pessoas perdendo a oportunidade de se garantir um futuro melhor.

A verdade é que, na bolsa de valores, o “pouco” se torna “muito” no longo prazo. Com a queda da taxa básica de juros (Selic), o caminho em direção à renda variável se torna cada dia mais a saída para rentabilidades interessantes e, por meio dela, existem várias opções para se começar, mesmo que seja com pouco.

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Antes de qualquer coisa é preciso lembrar que não dá para se investir antes de quitar dívidas e organizar uma reserva de emergência. Não há investimento capaz de superar o valor do juros de uma dívida ativa, então esse é um passo anterior para quem planeja investir, mesmo que seja com pouco.

O passo dois é um comportamento constante na vida de quem investe: a busca por conhecimento. Quem planeja investir deve saber que se aprofundar sobre o tema é essencial para garantir uma vida financeira segura e com bons resultados.

A partir daí, é a hora de escolher ações na bolsa de valores e fundos imobiliários. Por exemplo, ativos que podem ser comprados a partir de R$5. Só para se ter uma ideia, com aportes mensais de R$500 em 25 anos é provável que você obtenha uma renda aproximada de R$4 mil em valores de hoje, algo em torno de R$10 mil em valores nominais. Isso se o investimento for feito em boas empresas e com o reinvestimento dos dividendos nesse período de acumulação. Relevante, não? Esse é um valor quatro vezes maior que a média que um aposentado hoje em dia ganha.

No mercado de capitais, a disciplina e constância são tão importantes quanto o dinheiro aplicado. Por isso, investir pouco, ou muito pouco, sempre será melhor do que não investir. No final das contas, mesmo que você não chegue a acumular grande patrimônio, sempre poderá ter um complemento na renda, o que também é muito bom. Vendo o patrimônio crescer, a motivação para poupar aumenta e esse movimento pode acelerar ainda mais sua trajetória. Como eu disse: o mais importante é dar o primeiro passo.