MST faz intervenção na Bienal de São Paulo contra o agronegócio e a fome

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Artistas e ativistas do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, fizeram uma intervenção artística na 34ª Bienal de São Paulo, nesta quinta (11), em protesto contra o agronegócio e a fome.

"O MST vem denunciar o papel mortífero do agronegócio. Esperamos chamar a atenção da sociedade para a terrível demonstração da fome no país que diz ser o celeiro do mundo", disse Kelli Mafort, da direção nacional do movimento, no ato. "A roupagem tech e pop é o disfarce do maior roubo institucionalizado da história do nosso país."

A ação aconteceu na instalação "Deposição", dos artistas Daniel de Paula, Marissa Lee Benedict e David Rueter. A obra, que é localizada no vão central da Bienal e pode ser livremente ocupada pelos visitantes, exibe uma antiga roda de negociações da Bolsa de Valores de Chicago.

Usada por décadas, a roda é apresentada na mostra não como um círculo fechado, mas aberto. O trabalho evoca imagens de relações de exploração, já que nesta estrutura eram negociados aos berros preços de grãos como milho e soja, evidenciando a força do sistema financeiro global.

"Rodas [de negociação] como esta [exposta na Bienal] foram palco da perpetuação da condição de colônia imposta pelos países centrais do capitalismo, e que acentuam as desigualdades sociais e a fome até os dias atuais", afirmou Mafor.

Em nota, a Bienal afirma que a instalação "conta com uma programação de ativação bem diversificada, que inclui apresentações de música contemporânea realizadas com o Teatro Cultura Artística, com curadoria do Festival Novas Frequências; shows de Maria Gadú e BNegão, que vão acontecer nos próximos finais de semana; e a série 'Conversações', proposta pelas artistas Vânia Medeiros e Beatriz Cruz."

Como parte da série "Conversações", a intervenção artística protagonizada pelo MST usou textos do dramaturgo alemão Bertolt Brecht como inspiração e teve a participação dos coletivos teatrais Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes e Brava Companhia e Antropofágica, além dos grupos militantes Levante Popular da Juventude e o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos.

Para Daniel de Paulo, um dos artistas de "Deposição", a intervenção do MST "ressaltou alguns aspectos e questões inerentes e latentes" da sua obra.

"A materialidade da roda de negociações contém o peso de todas as operações financeiras que ali ocorreram durante décadas, e sua materialidade é capaz de apontar criticamente para as violências que estas mesmas transações produziram ao redor do mundo, incluindo o Brasil: a grilarem de terra, o desmatamento e a expulsão de comunidades locais de suas áreas de convívio e uso comum, por exemplo", diz Paulo, em nota.

"Dentre as operações que constituem a obra, está também um contrato de locação da roda para e com a Fundação Bienal, ressaltando a questão fundiária como cerne da questão agrícola e permitindo seu uso e ativação durante a 34ª Bienal", completou.

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