MP quer cancelar show de Gusttavo Lima em cidade atingida por enchentes na BA

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.11.2014 - O cantor Gusttavo Lima em seu estúdio em São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.11.2014 - O cantor Gusttavo Lima em seu estúdio em São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público da Bahia pediu à Justiça para cancelar um show de Gusttavo Lima com cachê de R$ 704 mil pago pela prefeitura de Teolândia, cidade baiana a 278 quilômetros de Salvador, durante a Festa da Banana, uma comemoração tradicional da cidade.

A reportagem procurou a Prefeitura de Teolândia para comentar o caso. Assim que a administração enviar um posicionamento, este texto será atualizado.

A ação civil, ajuizada nesta quinta-feira (2), pede ainda a suspensão de repasses de dinheiro público para outras 28 atrações. Entre eles, estão artistas menos conhecidos em âmbito nacional, como Unha Pintada, que recebeu R$ 170 mil, e Adelmário Coelho, que embolsou R$ 120 mil.

Ao todo, a festa está avaliada em R$ 2,3 milhões, valor que corresponde a 40% do que o município destinou à saúde durante todo o ano de 2021, de acordo com o Ministério Público.

Teolândia enfrentou em dezembro duas enchentes que deixaram moradores desabrigados e destruiu estradas. À época, a prefeita da cidade, Maria Baitinga de Santana, do Progressistas, afirmou que não seria capaz de contornar a crise sozinha, pediu que os moradores enviassem Pix para a conta da prefeitura e recebeu R$ 1,14 milhão do governo federal.

"Não é possível que o mesmo município que informou necessitar de ajuda e recursos para salvaguardar a sua população de catástrofe natural anuncie, em poucos meses, a contratação de artistas com cachês incompatíveis com as dimensões, arrecadações, necessidades de primeira monta e saúde financeira do município", escreveu Rita Cavalcanti, a promotora que ajuizou a ação.

A festa, marcada para ter início neste sábado (4), anunciou a apresentação de Gusttavo Lima para domingo (5). O Ministério Público pediu à Justiça que os cancelamentos sejam realizados em caráter liminar, isto é, de urgência.

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