MP Eleitoral denuncia Crivella por difamação e propaganda falsa após panfletos contra Paes e PSOL

Filipe Vidon
·3 minuto de leitura
Foto: Foto: Editoria de Arte

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio de Janeiro publicou denúncia, nesta sexta-feira, contra Marcelo Crivella e Andréa Firmo (Republicanos), candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, por difamação eleitoral e propaganda falsa em campanha. Em panfletos distribuídos na campanha, o prefeito do rio afirmou que seu concorrente no segundo turno, Eduardo Paes (DEM), é defensor da legalização do aborto, da liberação das drogas e do "kit gay" nas escolas municipais, além de associar o ex-prefeito ao PSOL.

A denúncia foi protocolada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ) nesta quinta-feira e levou em conta declarações públicas e o material distribuído, considerados fatos ofensivos à reputação de Paes, e tentativa influenciar o eleitorado com informações inverídicas. Inicialmente as investigações se concentraram em declarações de Crivella em debate na televisão ainda no primeiro turno, mas depois foi ampliada para contemplar a divulgação dos panfletos. As campanhas de Marcelo Crivella e Eduardo Paes foram procuradas para comentar a decisão, mas não enviaram posicionamento até a última atualização desta reportagem.

O MP cita na denúncia o vídeo em que Crivella aparece ao lado do deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), e afirma que se Eduardo Paes for eleito, nomeará o PSOL para a Secretaria de Educação e que isso resultaria em "pedofilia nas escolas".

— Tem um inimigo que se pudesse daria outra facada no Bolsonaro, que é o PSOL. O PSOL está com Eduardo Paes. O PSOL, dizem, vai tomar conta da Secretaria de Educação. Agora você imagina... pedofilia nas escolas. Eu fico imaginando um irmão meu, evangélico, batista, metodista, assembleiano, da Universal... Jesus disse pra nós que o Reino de Deus é das crianças. 'Quem recebe uma criança, recebe a mim'. Jesus se comparou às crianças. E nós vamos aceitar pedofilia na escola no ensino infantil? - declarou o prefeito no vídeo.

Confira: PSOL quer saber se panfletos com fake news de Crivella foram pagos com fundo eleitoral

Leia também: Justiça determina busca e apreensão de panfletos de Marcelo Crivella

Cada crime de difamação eleitoral tem pena entre três meses e dois anos de prisão e multa, enquanto o crime de propaganda falsa tem pena de dois meses até um ano de prisão, podendo ser elevada quando sua prática envolver o uso da imprensa, rádio ou televisão.

Em agenda de campanha, Eduardo paes afirmou que "é mais fácil" o Republicanos, partido de Crivella, integrar sua base em caso de vitória "do que o PSOL". Ele acusou o rival de espalhar mentiras porque está "no desespero".

— Crivella tenta botar na minha conta aliança com partidos de esquerda. Vou dizer uma coisa para vocês, sem querer cantar vitória antes do tempo: é mais fácil o partido dele estar na minha base do que o PSOL estar na minha base — disse Paes, fazendo alusão ao fato de, quando prefeito, o Republicanos ter votado diversas matérias a favor de seu governo, ao passo que o PSOL sempre esteve na oposição.

O ex-prefeito também falou sobre os 1,5 milhão de panfletos produzido e distribuídos pela campanha de Crivella.

— Ele tenta botar pautas que a gente nunca defendeu, como o aborto, a legalização das drogas e o kit gay. O único kit que distribuímos foi de uniforme escolar — afirmou Paes.