Mourão critica forma como Moro saiu e diz que Bolsonaro busca centrão por estabilidade

Mourão e Moro em evento em julho de 2019 (AP Photo/Eraldo Peres)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Três dias depois da crise instalada no governo com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (27) que o episódio não se deu de forma apropriada.

"Dentro da minha cultura, a forma como o ex-ministro Moro saiu não é a mais apropriada. Ele poderia simplesmente ter solicitado sua demissão. Só isso já seria um problema para o governo pelas próprias características do Sergio Moro e tudo o que ele representa para o país. Vida que segue agora", disse Mourão em uma videoconferência com a consultoria política Arko Advice.

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Ao anunciar sua demissão do governo federal na sexta-feira (24), Moro apontou fraude no Diário Oficial da União no ato de demissão de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal e criticou a insistência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a troca do comando do órgão, sem apresentar causas que fossem aceitáveis.

Moro afirmou que Bolsonaro queria ter acesso a informações e relatórios confidenciais de inteligência da PF. "Não tenho condições de persistir aqui, sem condições de trabalho." E disse que "sempre estará à disposição do país".

Na videoconferência, Mourão afirmou que Moro teve "um papel importantíssimo na vida nacional" ao longo da Operação Lava Jato.

"Por sua resiliência, por sua seriedade, ganhou papel importante na mitologia nacional, na mitologia temporária que se vive no Brasil", disse o vice-presidente.

"Fez um bom trabalho no Ministério da Justiça. Como todo e qualquer relacionamento entre um chefe e seu subordinado, aconteceram algumas rusgas", afirmou Mourão.

Indagado sobre a aproximação de Bolsonaro com partidos do chamado centrão - como Republicanos, PP e PL-, conhecido por trocar apoio no Congresso por recursos e cargos, Mourão afirmou que trata-se de uma busca por estabilidade.

O vice-presidente disse que, no começo do governo, havia um entendimento de que seria possível governar com base no pragmatismo e nas ideias reformistas da agenda de Bolsonaro.

"Num primeiro momento, esta concertação funcionou", disse Mourão. "A partir do final do ano passado e começo do ano [2020], obrigou o presidente a buscar nova forma de diálogo com o Congresso, com aproximação mais cerrada junto aos partidos, de modo que construa uma base que lhe dê certa estabilidade", afirmou o vice-presidente.

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