Morte de Reckful reacende debate sobre saúde mental e cultura do cancelamento

Equipe HuffPost
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A morte do streamer Byron ‘Reckful’ Bernstein aos 31 anos na última quinta-feira (2) reacendeu nas redes sociais o debate sobre o estigma que gira em torno da saúde mental e os efeitos da cultura do cancelamento.

Reckful cometeu suicídio logo após as reações que sofreu por pedir em casamento sua namorada, Rebecca, pelas redes sociais. ‘Becca’, como é conhecida no mundo dos gamers, é jogadora de Teamfight Tactis da Golden Guardians.

O jogador profissional de World of Warcraft e influencer, com mais de 900 mil seguidores no Twich (plataforma de streaming de jogos), pediu aos seguidores que não pressionassem a gamer. Ele afirmou que não via Becca fazia 6 meses.

“Eu sei que serei sempre um pouquinho maluco... E esta é a prova, mas pelo menos você nunca ficará entediada. Você casa comigo, Becca?”

Depois do pedido, Reckful passou a ser atacado nas redes sociais. Seguidores consideraram a atitude do rapaz constrangedora e começaram a pressioná-lo para deletar o post. Muitos disseram que o pedido de casamento deveria ser feito pessoalmente.

O pedido de casamento não chegou a ter resposta. Segundo Becca, antes que ela visse, ele já havia morrido. Ela disse, no entanto, que isso não mudaria o fato que ela “não foi capaz de estar lá por ele”.

“Nos amamos, mas foi difícil. Eu fui extremamente insegura quando se tratava dele, não podia nem me reconhecer. Não sinto que eu fui capaz de ser a pessoa que ele precisava em sua vida”, disse.

Saúde mental

Reckful havia feito outros posts nos quais comentou sobre sua “insanidade”. “Por favor, apenas saibam que, nessas situações, a pessoa insana não se sente no controle de suas ações”, disse.

Em janeiro, o gamer compartilhou um vídeo no Youtube no qual falou sobre seus problemas com depressão e contou que tinha perdido um irmão, vítima de suicídio.

De acordo com Becca, ele ainda sofria com a depressão. “Reckful me fez perceber que eu não sabia nada sobre depressão, não sabia nada sobre questões de saúde mental”, disse.

Depois da morte, surgiram os comentários de reconhecimento sobre os impactos da cultura do cancelamento na saúde mental de seus alvos.

“Ao processar essa perda, nós temos que admitir que o estigma em torno dos problemas de saúde mental e os tratamentos geralmente impedem as pessoas de procurar a ajuda que elas precisam”, afirmou o Twich em nota.

É preciso falar sobre prevenção ao suicídio

A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). E falar em suicídio não é falar sobre algo pesado, mas chamar atenção para uma questão de saúde pública.

De acordo com dados da OMS, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. A “violência autodirigida” é classificada pela OMS como a 14ª maior causa de morte.

No entanto, a própria organização reconhece que um dos grandes entraves à prevenção do suicídio é, justamente, a dificuldade de identificá-lo como uma questão de saúde pública.

Muitas vezes, o problema é estigmatizado e afasta o paciente da busca por ajuda profissional e até mesmo familiar.

Porém, muitas vezes, o suicídio é evitável, já que mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a questões de saúde mental. Em 36% das vítimas de suicídio, existe o diagnóstico da depressão.

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 188, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.

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