Morte de Lucas Santos incita empatia de famosos, mas evidencia competição por likes

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Walkyria Santos e o filho (Foto: Reprodução/Instagram)
Walkyria Santos e o filho (Foto: Reprodução/Instagram)

Esse texto faz parte de uma série de reportagens e artigos que tratam sobre o tema suicídio. Não comente, não compartilhe e não escreva posts ou comentários motivados pelo ódio ou que induzam ao suicídio.

Caso você seja vítima de bullying, ataque de ódio ou tenha pensamentos suicidas, o Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ajudar: ligue 188 ou dirija-se ao posto de atendimento mais próximo. Existem voluntários disponíveis 24 horas por dia e treinados para lhe atender com respeito, anonimato e sigilo. Mesmo que você não tenha certeza se precisa de ajuda e precise simplesmente conversar ou ser ouvido, não hesite em entrar em contato com o CVV também por chat ou e-mail.

A morte de Lucas Santos, filho da cantora de forró Walkyria Santos, chocou o Brasil, despertou reflexões e causou revolta. O jovem de 16 anos tirou a própria vida após sofrer ataques nas redes sociais. O desabafo da mãe foi de deixar qualquer um desolado. Aos prantos, Walkyria pediu mais empatia e respeito na internet. 

O caso levantou um debate importantíssimo. Como temos agido nas redes sociais? Famosos e anônimos se manifestaram, lamentaram a morte do jovem, mas poucos pareceram dispostos a fazer uma autocrítica. O que tinha tudo para ser o início de uma conversa saudável logo virou uma sessão de julgamentos, apontamentos e condenações.

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A ex-BBB Lumena Aleluia repudiou os ataques que Lucas Santos sofreu. Em seguida, escreveu que existem ex-participantes do 'BBB' "revivendo cenas que adoecem e contribuem com a propagação de mais ódio". "Acordar vendo notícia de um menino vítima de linchamento na internet e ver 'BBB' levantando pauta de cancelamento dá vontade de desistir. O que falta agora? Quer a gente na fogueira?", questionou a psicóloga.

Muitos interpretaram como uma indireta para Camilla de Lucas, que postou recentemente o trecho de uma briga com Karol Conká na qual virou meme. Assim que viu seu nome envolvido, a influenciadora comentou no post de Lumena. "Concordo também Lu, e tem participante que aqui fora continua curtindo comentários que estão incitando ódio em outros participantes. É bom pontuar isso!", escreveu.

As publicações levaram a conversa para outro lugar. Alguns fãs acharam que Camilla foi irônica, pois estava se referindo à Lumena, outros disseram que a psicóloga não tem moral para falar nada e exaltaram Camilla. A polêmica ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Independente de que lado você esteja, o que observamos aqui é um terceiro ponto que talvez você até tenha esquecido. O nome de Lucas Santos, que iniciou o assunto, acabou envolvido em algo que não era sobre ele. O pedido de empatia e o luto de Walkyria não foram respeitados. Mais uma vez, as redes sociais foram utilizadas de maneira tóxica.

As ex-participantes do 'BBB' não foram as únicas. Várias celebridades usaram o caso para falar de si, comparar sofrimentos ou até mesmo atacar quem já os atacou. Mais uma vez, o ego falou mais alto na vida das celebridades e deturpou a mensagem tão necessária que Walkyria trouxe no vídeo em que abriu seu coração após perder seu bem mais precioso. Um filho. Por causa de uma rede social. 

Mesmo com todos os pedidos de empatia, o círculo vicioso continua. A pessoa sofre um ataque, reclama do ataque com outro ataque, outra pessoa rebate atacando, terceiros tomam as dores e atacam de volta. Enquanto não sairmos da defensiva e olharmos para o que postamos com mais responsabilidade, sem apontar quem faz diferente ou fez no passado e mudou, não sairemos do lugar. 

Entender que crítica é diferente de ataque também é importante. Vivemos em uma democracia, podemos opinar com respeito, o que é bem diferente de perseguir e insultar. Que a morte de Lucas não seja apenas uma estatística. Que a repercussão realmente nos faça pensar e mudar sem precisar anunciar para o mundo ou cobrar quem fez ou faz diferente.

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