Morre Sabine Weiss, a última fotógrafa 'humanista'

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(Arquivo) Fotógrafa Sabine Weiss, em 15 de dezembro de 2020, em Paris (AFP/JOEL SAGET) (JOEL SAGET)

A fotógrafa franco-suíça Sabine Weiss morreu na terça-feira (28), aos 97 anos, em sua casa em Paris, anunciaram sua família e equipe em um comunicado divulgado nesta quarta (29).

Nascida na Suíça em 1924 e naturalizada francesa em 1995, Sabine, a última discípula da escola humanista francesa, morava em Paris. Foi na capital francesa, no Boulevard Murat, que instalou seu ateliê, no início dos anos 1950, acrescentou sua equipe.

Assim como Doisneau, Boubat, Willy Ronis e Izis, Sabine Weiss imortalizou a vida simples do povo, sem ostentação e sem arrogância.

"Nunca pensei que estivesse fazendo fotografia humanista. Uma boa foto deve comover, estar bem composta e despojada", disse ela ao jornal La Croix.

Ganhadora do prêmio de fotografia Women in Motion de 2020, Sabine Weiss protagonizou mais de 160 exposições ao redor do mundo.

Nascida como Weber em 23 de julho de 1924, em Saint-Gingolph, às margens do lago de Genebra, Sabine Weiss comprou sua primeira câmera, aos 12 anos, com o dinheiro de sua mesada. Aprendeu o ofício aos 16, em um famoso estúdio de Genebra. Chegou a Paris em 1946 e começou a trabalhar para o fotógrafo de moda Willy Maywald.

Pioneira da fotografia do Pós-Guerra, de formação eclética e uma amante tanto das cores quanto do preto e branco, viu sua carreira decolar na Paris dos anos 1950.

- "Artesã da fotografia" -

“Desde o início tive que viver da fotografia, não era algo artístico”, disse Weiss à AFP em entrevista em 2014. “Era uma profissão, eu era uma artesã da fotografia”, destacou.

No ano de seu casamento, 1950, abriu seu estúdio no 16º distrito. No mesmo período, Doisneau apresentou-a à revista Vogue e à agência Rapho (hoje Gamma-Rapho). Ela então começou a frequentar os círculos artísticos da época, retratando Stravinsky, Britten, Dubuffet, Léger, ou Giacometti.

Trabalhou para revistas renomadas como Newsweek, Time, Life, Esquire e Paris-Match, e foi bem-sucedida nos mais diverso tipos de registro: da reportagem (viajou muito), à publicidade e à moda, passando pelo entretenimento e pela arquitetura.

De personalidade discreta e menos conhecida do grande público que outros fotógrafos de sua geração, essa mulher efervescente de pouco mais de um metro e meio afirmava nunca ter sofrido "discriminação" de gênero.

"Eu detectei nela não apenas compaixão, mas também uma ternura e doçura que os homens não tinham", disse o fotógrafo e documentarista francês Raymond Depardon à AFP nesta quarta-feira.

- De necrotérios a fotos de moda -

Acima de tudo, Weiss percorreu, incansável, a capital francesa, às vezes com o marido, o pintor americano Hugh Weiss, muitas vezes à noite, para congelar momentos fugazes: trabalhadores em ação, beijos furtivos, idas e vindas no metrô... Com sua câmera, afirmava ela, gostava de capturar a garotada, mendigos, ou sorrisos, com os quais ia cruzando nas ruas.

"Na fotografia, fiz de tudo", declarou à AFP, em uma entrevista em 2020.

“Naquela época, a capital, à noite, ficava coberta por um lindo nevoeiro”, lembrou.

"Fui a necrotérios, fábricas, fotografei gente rica, tirei fotos de moda (...) Mas o que fica são apenas as fotos que tirei apenas para mim, sobre a caminhada", completou.

Prolífica e generosa, em 2017, legou cerca de 200.000 negativos e 7.000 folhas de contato para o Museu do Eliseu, em Lausanne. "Não sei quantas fotos tirei", disse à AFP em 2014, "de qualquer modo, isso não significa muito".

Conhecida por sua habilidade com a fotografia em preto e branco, Weiss deu as boas-vindas ao advento das câmeras digitais, mas não à selfie.

“As pessoas não fotografam mais o mundo ao seu redor, elas se fotografam”, explicou à AFP.

"Diga às pessoas para tirarem fotos ... de seus arredores. Diga isso a elas", insistiu.

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