Morre o artista Hermann Nitsch, famoso por obras com sangue e urina

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sangue, urina e espetáculos com sacrifício animal marcaram o trabalho radical do austríaco Hermann Nitsch, que morreu nesta segunda-feira (18), aos 83 anos.

A família do artista informou à agência de notícias AFP que ele morreu de uma doença grave em um hospital na Áustria, mas não especificou que enfermidade era essa.

O artista plástico foi um dos pioneiros da chamada "body art", ­arte feita no próprio corpo, usando implantes e escarificações --técnica de modificação do corpo que consiste em produzir cicatrizes por meio de instrumentos cortantes. Com Otto Müh, ele fundou nos anos 1960 o "acionismo vienense", corrente que elaborava performances em que os artistas chegavam a se ferir e se mutilar.

Em sua carreira, Nitsch elaborou ainda performances que envolviam sacrifício animal. Nesses espetáculos, espectadores se banhavam de sangue, vísceras e até esterco ao som de uma orquestra.

"Não existem limites na arte. Na minha opinião, tudo pode ser arte", ele disse em entrevista à revista Vice em 2010. "Embora em algum momento você talvez tenha que enfrentar o código penal e sua própria consciência."

O austríaco, que nasceu em Viena em 1938, teve sua vida marcada pela série de bombardeios que a cidade sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ele mesmo chegou a registrar que o conflito o transformou num "oponente de todos os nacionalismos e de todas as políticas".

Depois de se formar em uma instituição de pesquisas gráficas na capital da Áustria, onde se aproximou fortemente da arte religiosa, ele começou a trabalhar no Museu Técnico de Viena. No estúdio que lhe foi concedido, iniciou suas pesquisas no que se tornaria o teatro de orgia e mistério pelo qual ficaria conhecido mais tarde, com performances que incluíam sacrifício e fluidos animais.

Obras de Nitsch foram exibidas nos principais museus e eventos de artes plásticas do mundo. Ele esteve em várias edições da Documenta, teve trabalhos expostos no Centro Pompidou, em Paris, e também tem uma fundação própria criada em 2009 em Viena para preservar o seu legado.

Também tem uma obra em exposição na Bienal de Veneza, que tem início esta semana. "20ª Ação de Pintura" continua podendo ser vista pelo público até 20 de julho.

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