Morre McCoy Tyner, pianista de jazz que ajudou John Coltrane a voar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - McCoy Tyner, um dos pianistas mais influentes da história do jazz e membro do histórico quarteto do saxofonista John Coltrane nos anos 1960, morreu nesta sexta (6), aos 81 anos. A informação foi anunciada na página oficial do músico no Facebook, e confirmada pelo jornal The New York Times. A causa da morte não foi divulgada.

Com um som descrito como "rico, percussivo e sério" pelo The New York Times, o músico ajudou a criar a atmosfera das músicas de Coltrane e do próprio jazz dos anos 1960. Sua influência foi reconhecida pelo próprio Coltrane numa entrevista, relembrada pelo jornalista Ben Ratliff na biografia "Coltrane": "Ele é a pessoa que me dá asas e me eleva do chão de tempos em tempos".

Tyner nasceu na Filadélfia, filho de um funcionário de uma empresa farmacêutica e de uma esteticista. Aprendeu a tocar aos 13 anos, e seu primeiro piano ficava no salão de beleza da mãe.

Aos 16 anos, já participava de uma banda de rhythm and blues e tocava em festinhas domésticas.

Ele conheceu Coltrane aos 18 anos, em 1957, e os dois ficaram amigos. Além de músicos, ambos compartilhavam o interesse pela religião (Tyner se converteu ao islamismo naquela mesma época).

No ano seguinte, Coltrane gravou uma composição de Tyner, "The Believer". Eles só estariam tocando juntos oficialmente em 1960, porém, um mês depois que Coltrane formou o próprio quarteto. Nessa formação, gravaram músicas para álbuns como "My Favorite Things", "Coltrane Jazz," "Coltrane's Sound" e "Coltrane Plays the Blues."

A performance de Tyner no quarteto de Coltrane o tornou um dos pianistas de jazz mais imitados da história. Em 1965, porém, o músico rompeu com o grupo, alegando que a adição de cada vez mais instrumentos de percussão e de sopro às melodias tinha tornado as canções barulhentas, sem jeito --ele reclamava que era impossível distinguir o piano.

Entre 1966 e 1967, o pianista participou de uma turnê com o baterista Art Blakey, e atuou como freelancer.

Foi nessa época (marcada ainda pela morte de Coltrane) que ele assinou um contrato com a Blue Note, selo pelo qual lançou o até hoje lembrado "The Real McCoy".

Depois, em 1972, Tyner migrou para a Milestone, que o projetou no cenário musical. Ele também trabalhou de maneira constante com o próprio grupo.

"McCoy foi um músico inspirado que devotou sua vida à sua arte, à sua família e à sua espiritualidade. Sua música e seu legado continuarão a inspirar fãs e talentos futuros das próximas gerações", diz a publicação na sua página oficial do Facebook.