Morre lendário ator francês Michel Piccoli

Ator francês Michel Piccoli em 4 de setembro de 2013 ba Cinematheque Francaise

Lenda do cinema francês, o ator Michel Piccoli, famoso por seus papeis em "O Desprezo" e "As Coisas da Vida", faleceu em 12 de maio aos 94 anos, anunciou sua família nesta segunda-feira.

"Michel Piccoli faleceu em 12 de maio nos braços de sua esposa Ludivine e de seus filhos Inord e Missia, depois de sofrer um acidente vascular cerebral", diz um comunicado divulgado à AFP por Gilles Jacob, amigo do ator e ex-presidente do Festival de Cannes.

Revelado em "O Desprezo" (1963), de Jean-Luc Godard, filme em que se uniu a Brigitte Bardot, Piccoli trabalhou em mais de 150 longas, de "La Grande Bouffe" (1973) a "Habemus Papam" (2011), seu último papel na tela.

Sua carreira também é inseparável dos filmes de Luis Buñuel ("A Bela da Tarde", "Diário de uma Camareira").

Também trabalhou com grandes diretores como Renoir, Resnais, Demy, Melville, Vardà e Hitchcock.

Ele atuou em mais de 150 filmes, incorporando até um papa melancólico que sonha em se tornar anônimo nas ruas de Roma, no filme "Habemus papam" (2011) de Nanni Moretti. Foi um dos seus últimos grandes papéis.

Nascido em 27 de dezembro de 1925 em Paris, Piccoli definiu seus pais como "músicos sem paixão", que "serviram como antimodelo". Essa família que ele descreveu como "egoísta e racista" provavelmente pesou em sua rejeição à burguesia.

Quando jovem, ele fez cursos de teatro e fez sua estréia no cinema em "Le point du jour", de Louis Daquin.

Em 1945, Piccoli, então com 20 anos, conheceu Jean-Paul Sartre e a artista Juliette Gréco - com quem se casou em 1966. Na mesma época entrou no Partido Comunista. O compromisso de Piccoli com a esquerda se manteve até o fim, inclusive publicamente, apoiando, por exemplo, candidatos presidenciais como o socialista François Mitterrand em 1981.

Discreto sobre sua vida privada, Piccoli, que se casou três vezes, confessou aos 90 anos em um livro de entrevistas com Gilles Jacob, seu amigo e ex-presidente do Festival de Cannes.

Ele foi indicado quatro vezes aos prêmios César do cinema francês, mas nunca foi recompensado.

No teatro, foi dirigido também por grandes nomes, como Peter Brook, Patrice Chéreau e Luc Bondy.