Morre o cantor guineense Mory Kanté aos 70 anos

Por Par Carol VALADE
O artista guineense Mory Kanté no Festival Internacional de Cartago, na Tunísia, em 14 de julho de 2010.

O cantor e músico guineense Mory Kanté, famoso mundialmente pela música "Yeké Yeké" nos anos 80, morreu nesta sexta-feira(22), aos 70 anos, em um hospital em Conacri, anunciou seu filho Balla Kanté à AFP.

Apelidado de "griot elétrico", Kanté popularizou a música africana e guineense em todo o mundo.

Com "Yeké Yeké", um dos maiores sucessos da história da música africana, lançado em 1987, vendeu milhões de cópias e dominou as listas de canções mais ouvidas em muitos países.

Mory Kanté morreu "por volta das 9h45 desta manhã" em um hospital na capital da Guiné, disse o filho. "Ele sofria de doenças crônicas e costumava viajar para a França para tratamento, mas com o coronavírus não foi mais possível", acrescentou.

Nascido em uma famosa família de "griots" - contadores de histórias, músicos e poetas da cultura oral da África Ocidental - Kanté foi um dos primeiros artistas, junto com o Malian Salif Keita, a levar a música mandinga além de suas fronteiras.

Na década de 1980, Kanté revolucionou a música da África Ocidental, ao unir canções tradicionais das aldeias a ritmos eletrônicos e "grooves" urbanos.

Com "Yeké Yeké", o mestre do kora, um instrumento tradicional de cordas, ganhou fama internacional e levou a música mandinga para as pistas de dança.

O álbum que a inclui, "Akwaba Beach", foi um dos discos da África subsaariana mais vendidos em todo o mundo.

Nos anos 2000, se dedicou por um tempo à música acústica - sons produzidos epanas por instrumentos, em oposição aos meios eletrônicos - tocando em uma orquestra predominantemente de cordas.

"A cultura africana está de luto", tuitou o presidente da Guiné, Alpha Condé. "Uma carreira excepcional. Exemplar. Um orgulho", acrescentou.

Kanté foi embaixador da boa vontade da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e ajudou a arrecadar fundos contra o Ebola, que atingiu duramente a Guiné entre 2013 e 2016.