Morre célebre bailarina italiana Carla Fracci

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(Arquivo) A bailarina Carla Fracci se encontra com o papa Francisco, em 2017

A famosa bailarina e coreógrafa italiana Carla Fracci, que atuou entre outros com Rudolf Nureyev e Vladimir Vasiliev, faleceu nesta quinta-feira (27), em Milão, no norte da Itália, aos 84 anos - informaram fontes oficiais.

"O Teatro La Scala anuncia, abalado, o falecimento nesta quinta-feira de Carla Fracci, em sua casa em Milão. O teatro, a cidade, a dança perdem uma figura histórica e lendária, que deixou uma marca muito forte em nossa identidade e que deu um contribuição fundamental para o prestígio da cultura italiana no mundo", anunciou o prestigioso teatro milanês.

Nascida em Milão, em 20 de agosto de 1936, ela estudou na prestigiosa escola de dança do Teatro La Scala de Milão, tornando-se sua dançarina principal em 1958.

Famosa por seus papéis em "Romeu e Julieta", de John Cranko, e "Elvira", em Don Giovanni de Leonid Massine, ela se apresentou com as mais importantes companhias de dança clássica, incluindo o London Festival Ballet, Royal Ballet, Stuttgart Ballet, Royal Swedish Ballet, American Ballet Teatro e outros.

Esbelta, delicada, sempre vestida de branco, Carla Fracci foi descrita como "a eterna menina dançante" pelo poeta italiano e ganhador do Prêmio Nobel Eugenio Montale, enquanto Charles Chaplin uma vez lhe disse "você é esplêndida", contou ela mesma em diferentes ocasiões.

Ao longo de sua longa carreira, pisou nos palcos mais prestigiosos do mundo, viajou incansavelmente e recebeu prêmios e aplausos em todos os lugares. Dançou com bailarinos da estatura de Nureyev, Vassiliev, ou Baryshnikov.

Entre os espetáculos que ficarão na memória, está sua interpretação de "Giselle", com a qual entra para a história da dança pela força que dava aos papéis femininos.

Também foi diretora do balé da Arena de Verona, de 1995 a 1997, e depois do Ballet da Ópera de Roma, em 2002.

"Cresci entre camponeses, perto de Cremona, livre, entre muito carinho. E é por isso que tenho os pés bem plantados no chão, por causa das minhas raízes", confessou em uma de suas entrevistas à televisão italiana.

"Se foi um monumento nacional, um mito da dança", escreveu o jornal La Repubblica ao dar a notícia de sua morte.

"A maior. Divina e eterna. Cheia de amor pela dança, novos projetos, ideias para a vida. O mundo da cultura na Itália será grato a você para sempre", reagiu no Twitter o ministro da Cultura, Dario Franceschini.

A bailarina morreu em decorrência de um tumor diagnosticado há vários anos. Uma capela ardente será montada no teatro La Scala no sábado e seu funeral será realizado na igreja de San Marcos de Milão.

Casada desde 1964 com o diretor teatral Beppe Menegatti, com quem teve um filho, Francesco, algo pouco comum para uma bailarina, foi escolhida em 1981 como "prima ballerina assoluta" pelo jornal New York Times.

"Ela desmistificou a figura da bailarina clássica graças às suas incursões no cinema, na televisão, na publicidade. Antes era uma arte para poucos: ela merece o enorme mérito de ter ampliado o público da dança, experimentando e não se importando com críticas dos puristas , comentou Bolle, que estreou muito jovem com ela.

Ela também foi a diretora do balé da Arena de Verona de 1995 a 1997, e depois do Ballet da Ópera de Roma em 2002.

Devido à sua fama, em outubro de 2004 foi nomeada em Roma embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) por suas campanhas contra a fome no mundo.

kv/es/mr

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