Morre Benício, que fez rótulo da Selvagem e cartazes da pornochanchada, aos 84

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.02.2021 - O ilustrador José Luiz Benício durante a abertura da exposição
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.02.2021 - O ilustrador José Luiz Benício durante a abertura da exposição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu nesta terça José Luiz Benício, um dos maiores e mais conhecidos ilustradores brasileiros. Autor de cerca de 300 cartazes da pornochanchada —entre eles, o de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 1976, que ajudou a alçar Sônia Braga a símbolo sexual—, ele tinha 84 anos. A informação foi divulgada pela família por meio das redes sociais do artista, mais conhecido apenas como Benício .

"Com o coração doído, mas sereno, comunicamos o falecimento de nosso amado pai e avô, que se eternizou através do seu jeito ímpar de ser, do amor que sempre espalhou por onde passava e da arte que o tornou mundialmente reconhecido", escreveram membros da família do autor em sua conta no Instagram.

Benício havia sofrido dois acidentes vasculares cerebrais até 2014, quando já não conseguia mais desenhar, uma vez que perdera os movimentos da mão direita.

Gaúcho nascido no município de Rio Pardo, Benício chegou ao Rio de Janeiro aos 17 anos. Em vez de estudar piano no Conservatório Brasileiro de Música, seu propósito inicial, ele se dedicou ao desenho.

O artista se tornou conhecido durante a década de 1960, quando passou a ilustrar as revistas femininas "Cinderela" e "Xodó, além de fazer capas de livros pulp de Antonio Vera Ramírez, que estampavam personagens femininas sensuais e perigosas, a exemplo de Brigitte Montfort, um de seus trabalhos mais marcantes. Este seria o início de sua fama de desenhista de pin-ups.

Com esse portfólio, ele passou a ser requisitado para trabalhar em cartazes de filmes de pornochanchada, embora dissesse que não gostava muito de ir ao cinema, segundo contou a este jornal em entrevista há cinco anos.

É dele também o icônico pôster de divulgação dos longas "A Super Fêmea", de 1973, que, assim como "Dona Flor e seus Dois Maridos" fez com Sônia Braga, alçou Vera Fischer a símbolo sexual dos anos 1970. O mesmo se deu com Marlene Silva, retratada no cartaz de "A Dama da Zona", ou Adele Fátima, que protagoniza "Histórias que Nossas Babás não Contavam".

A partir de então, com capas de livros, cartazes de filmes, discos e anúncios publicitários, Benício passou a ser chamado para produzir toda sorte de artes gráficas, tais como os rótulo da catuaba Selvagem e do rum Montilla; o material de divulgação dos Trapalhões; as campanhas políticas de Moreira Franco ao governo do Rio de Janeiro em 1986, e de Ulysses Guimarães e Fernando Collor à presidência, em 1989.

Outro trabalho importante de sua autoria foi a capa do disco "Amar pra Viver ou Morrer de Amor", de Erasmo Carlos, em 1982, anos mais tarde plagiada na Alemanha, em 2011, pelo MC Morlockk Dilemma.

Benício estava em intensa atividade quando seu segundo AVC o interrompeu subitamente. Até 2014, ele ainda colaborou com as revistas Piauí e Playboy, desenhou para a propaganda da cerveja Stella Artois de Londres, para a empresa de cosméticos Granado, além de criar a capa do livro "Mônicas(s)", no qual artistas como Milo Manara e Will Eisner fizeram releituras da clássica personagem de Mauricio de Sousa.

Apaixonado pelo ofício, ele disse em entrevista que parou de desenhar "muito a contragosto". "Sinto muita falta. Sonho todos os dias que estou desenhando, fazendo detalhes da ilustração como se estivesse no meu estúdio."

Ainda não foram divulgadas mais informações sobre o velório e sepultamento de Benício.

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