Morre aos 90 anos o ator franco-sueco Max von Sydow

(Arquivo) Max von Sydow chega na estréia de um filme no 69º Festival de Cannes em 14 de maio de 2016 na cidade francesa

O ator franco-sueco Max von Sydow, que participou em 10 filmes do diretor sueco Ingmar Bergman antes de iniciar uma carreira em Hollywood, morreu aos 90 anos, anunciou sua esposa em um comunicado transmitido nesta segunda-feira por sua agente.

"É com o coração partido e com infinita tristeza que anunciamos a partida de Max von Sydow em 8 de março de 2020", anunciou a produtora Catherine von Sydow, confirmando informações da revista francesa Paris Match.

Nascido na Suécia em 1929, o ator de quase dois metros de altura e olhos azuis penetrantes ficou conhecido por sua colaboração com o cineasta Ingmar Bergman, que o fez jogar uma partida de xadrez contra a Morte em "O Sétimo Selo", filme de 1957.

Também participou de "Morangos Silvestres" (1957), "O Rosto" (1958) e "A Hora do Amor" (1971).

A partir do final da década de 1960 deixou as fronteiras da Suécia e percorreu os quatro cantos do mundo. Encarnou Jesus em "A Maior História de Todos os Tempos" (1965), ao lado de Charlton Heston, e filmou "Havaí" (1966) com Julie Andrews.

Sua carreira hollywodiana foi marcada pelo papel como padre Merrin em "O Exorcista" (1973) de William Friedkin, um enorme sucesso de bilheteria.

E também por vários papéis de vilão, sob a direção de David Lynch ("Duna"), Steven Spielberg ("Minority Report - A nova lei"), ou Martin Scorsese ("Ilha do medo").

Incansável, juntou-se à saga "Star Wars" em 2014, no papel de Lor San Tekka, próximo à família Solo, no sétimo episódio, "O Despertar da Força", antes de interpretar o Corvo de Três Olhos na série de sucesso global "Game of Thrones".

Estranhamente, nunca recebeu muitos prêmios. Sydow foi indicado apenas duas vezes ao Oscar: por seu papel em "Pelle, o Conquistador" (1987), de Bille August, e por seu papel de coadjuvante no filme do inglês Stephen Daldry "Tão forte e tão perto" (2011).

Como ele explicava a falta de reconhecimento? "Aos atores que tiveram algum sucesso sempre são oferecidos o mesmo tipo de papéis, e eu sofri com isso", declarou ao jornal sueco Aftonbladet na época do lançamento deste último filme.

Em 1997, Max von Sydow, pai de dois filhos de um primeiro casamento com a atriz sueca Christina Olin, casou-se com a documentarista francesa Catherine Brelet.

"Quero morar na França. E quero morrer na França", afirmou o ator quando o casal se estabeleceu na França, onde foi elevado ao posto de Comandante das Artes e Letras em 2005 e feito Cavaleiro da Legião de Honra em 2011.

Para o ex-presidente do Festival de Cinema de Cannes Gilles Jacob, "ele era um dos maiores atores do mundo. Era capaz de interpretar papéis espectrais ou perturbadores, mas Max era de uma delicadeza e humanidade comoventes".